<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636</id><updated>2012-02-09T12:49:23.075-02:00</updated><title type='text'>HOJE EM CARTAZ</title><subtitle type='html'>Sob o fardo de guerras que ninguém viu</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-5780625775081248582</id><published>2011-05-15T16:23:00.017-03:00</published><updated>2011-09-24T19:05:05.727-03:00</updated><title type='text'>. sob o fardo de guerras que ninguém viu .</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-N3AX9r4DdhQ/Tn5T-u2uY2I/AAAAAAAAAIc/xwHWc0reUKI/s1600/ceusoldado.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="294" width="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-N3AX9r4DdhQ/Tn5T-u2uY2I/AAAAAAAAAIc/xwHWc0reUKI/s400/ceusoldado.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Haviam &lt;/span&gt;quatro militares olhando para o céu há bastante tempo. Três deles não sabiam direito o que olhavam, e um não sabia nem que olhava, estava &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sonâmbulo&lt;/span&gt;. A guerra já se prolongava por longos vinte e um minutos depois do previsto, mas eles de nada sabiam. Era noite de um dos piores dias durante a guerra, mas eles também nada sabiam. Há uma semana foram massacrados, estavam num grupo de ação altamente sigilosa composta por quase cem mas sobrou só quatro. A missão era tão sigilosa que coisas como o objetivo final da ação ou sua localização eram segredos até aos próprios soldados. Sob a confusão do dito massacre, os quatro se camuflaram &lt;span style="font-style:italic;"&gt;perfeitamente&lt;/span&gt; mais por medo que por estratégia. Só agora resolveram sair, alguns nunca tinham se visto. A alimentação já era uma preocupação pois foi preciso alguns dias sem ouvir tropas até criarem coragem pra andar e conversar. Agora, pelos trejeitos nas cabeças e nos braços, procuravam constelações num céu bem propício a isso, um que dá pra ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Mas que coisa! Eu já falei, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;não estou vendo centauro nenhum!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Você tem que usar a imaginação, a pata está levantada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Pata? Soldado, se você citar uma poesia agora eu juro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Sargento, eu no fundo também não vejo, mas dizem que está aí, e logo do lado parece que fica o Cruzeiro, depois é só olhar na ponta tangente inferior pra saber melhor onde estamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não brinca comigo, soldado. O Cruzeiro só existe na porcaria do hemisfério Sul. Aprendeu astronomia onde? Em caixa de sucrilhos? O senhor sabe onde estamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não, sargento, por isso precisamos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Então como o senhor &lt;span style="font-style:italic;"&gt;me&lt;/span&gt; faz ficar olhando pra merda do céu há mais de meia hora procurando fada decerto? E se a gente estiver no Norte? Porra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Sargento, eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Falou até que tinha visto já o minotauro com pata e tudo apontando no meio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Centauro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - ...como é que é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não é minotauro, sargento, é centauro. Deve ser por isso que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Você tá querendo me dar um beijo, né? Só pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Senhores, me desculpe intrometer... – o terceiro soldado se intromete, talvez prevendo uma briga (o quarto soldado permanecia &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sonâmbulo&lt;/span&gt;) –  Sei que sou de outra divisão mas acredito que, realmente, não dá pra ver o Cruzeiro daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Então o quê, estamos no Norte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não, não é isso. Eu disse que não dá pra ver porque eu não vi e não porque ele não está aí pra ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - E vocês dois estão achando que agora é festa, né? Achando que pode falar merda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não, não, não é isso! Eu só quero ajudar, só estou dizendo que talvez é melhor subir um pouco a montanha pra ver melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - É verdade, sargento, nisso ele está certo. Peço permissão pra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Permissão”? Pra quê, soldado? Quer casar e tá se achando minha filha? Só pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não, sargento, é que... digo, então o senhor ficará de olho no Radar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Radar?! Você tá ficando louco? Os caras destruíram &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tudo&lt;/span&gt; e você sabe disso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não, sargento, "Radar" é o apelido que demos pro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sonâmbulo &lt;/span&gt;ali, porque ele fica zanzando, se esqueceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - É "Sonar", sua anta, de "sonâmbulo". Puta que pariu, te recrutaram na Apai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não, desculpa... sargento... estou só te lembrando de cuidar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Soldado, não é possível, hoje é sua folga e não me avisaram. Tá me achando com cara de babá? Com cara de príncipe pra bela adormecida? Você tem cara de veado, e príncipe é tudo veado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Sim, sargento, mas... o que isso quer dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Que o senhor &lt;span style="font-style:italic;"&gt;poeta &lt;/span&gt;vai ficar de soldado-babá contando &lt;span style="font-style:italic;"&gt;poesia &lt;/span&gt;e eu vou subir a porcaria da montanha com a merda do soldado da porra da outra divisão. É difícil deduzir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Compreendido então, soldado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Sim, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"sim senhor"...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Desse modo, depois dessa semi-gritaria (ainda não se atreviam a tanto) o Sargento e o outro soldado se prepararam e partiram. Apesar da noite os presentear com brisas suaves num clima bastante ameno e agradável – e, pelo fim da guerra (só atrasou vinte e um minutos mesmo), há muito a floresta não era tão silenciosa – a escalada de meia hora foi um pouco difícil. O disciplinado aprendizado militar fizera ambos escalarem em total silêncio e se ajudando mutuamente. Na medida que subiam, o céu noturno se revelava sobre um imenso e impressionante vale parcialmente iluminado pela lua minguante. De longe se escutavam chacais, ou elefantes. Chegaram lá em cima cansados e suados. Apesar disso, assim que chegou, o soldado imediatamente se preparou para verificar as estrelas, isto é, olhou pra cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Opa, aí está ele, um lindo Cruzeiro! Bem, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sargento&lt;/span&gt;, se me permite também lhe chamar assim, estamos no hemisfério Sul!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Você &lt;span style="font-style:italic;"&gt;deve&lt;/span&gt; me chamar de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sargento&lt;/span&gt;, seu idiota. Quê mais você viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Onde &lt;/span&gt;no hemisfério Sul, criatura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Mas isso eu não sei olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Então que merda você veio fazer aqui em cima, soldado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Desculpe, sargento, é que vi você e o outro discutindo sobre o Cruzeiro, eu só quis ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Entendi... – o Sargento disse isso desamarrando um grande facão preso na cintura – ...então &lt;span style="font-style:italic;"&gt;não é&lt;/span&gt; o outro soldado, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;é você&lt;/span&gt; que quer me beijar, não é? Vai, pode falar. Vê se eu sou macio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O soldado tentou se defender ou qualquer outra coisa mas o que quer que tenha sido terminara num completamente inútil e apavorante grito de dor e desespero reverberando tão alto pela floresta à noite que até acordou o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sonâmbulo&lt;/span&gt;, lá embaixo, que por sua vez &lt;span style="font-style:italic;"&gt;de repente&lt;/span&gt; pôs a mão no ombro do soldado-babá perguntando aflito "onde estou?" assustando-o de tal maneira que o poeta instantaneamente morreu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em questão de segundos então, restaram vivos apenas o Sargento lá em cima –  com mais um crime pelas costas – e o Sonar lá embaixo, agora desperto, assustado pela morte súbita do companheiro e realmente começando a sondar o perigo de estar sozinho à noite numa floresta desconhecida. Lá em cima, o Sargento olhava fixadamente pro céu tentando decorar a posição exata do que pensava ser o Cruzeiro pra perguntar como deduzir a coordenada depois que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;descer&lt;/span&gt; mas de repente arregalou os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Que caralho! - ponderou ele quando se lembrou que eram necessário no mínimo duas pessoas para a escalada de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No entanto, antes de se desesperar, o Sargento teve uma pequena sombra de esperança ao lembrar dos outros soldados lá embaixo. Talvez escutariam se ele gritasse pedindo ajuda. Então tentou se lembrar do nome do soldado-babá para ordená-lo a subir e como lembrou que na verdade nunca soube qual era, desistiu disso. Respirou fundo e gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Poeta! Poeta! Larga de abusar do Sonar e venha aqui me ajudar! Isso é uma ordem! Poeta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Como veremos, esse breve bom humor do Sargento vindo da esperança, acabaria logo. Obviamente, o poeta já estava morto, mas o Sargento de nada sabia. No entanto, lá embaixo, Sonar escutou &lt;span style="font-style:italic;"&gt;claramente&lt;/span&gt; o grito de socorro do Sargento mas como não estava ciente de que seu apelido era “Sonar” não entendeu nada e nada respondeu. Essa falta de resposta foi suficiente pra eliminar o bom humor do Sargento: o abatimento o abateu. Por sua vez, Sonar também não estava mais calmo, pensava em inimigo. Pensou que o que tinha escutado era código que ele não conhecia, que era um observador dando coordenada. Abaixou a cabeça, fechou os olhos e questionou sinceramente a si mesmo, “fudeu, né?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Poeta! Poeta! Porra! Poeta! – os gritos recomeçaram e agora pareciam mais frenéticos – Poeta! Ah!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se o Sargento estava entrando em pânico por não ter como descer, Sonar também  estava, mas era por um medo intenso que começava a invadi-lo, não raciocinava direito, mas conseguiu ao menos respirar fundo e se preparar para um ataque defensivo, armou o rifle. Avançou um pouco na intenção de escutar de onde vinham os gritos. Mas os gritos se calaram completamente – na verdade, o Sargento começou a chorar baixinho, mas não tinha como o Sonar saber – Sonar então tentou atrair atenção de quem estava gritando. Lembrou que os gritos mencionara “poeta”. Deveria ele tentar uma poesia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Escute! O céu... – disse Sonar num só grito, e concluiu – ...bonito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pelo menos ao escutar isso o Sargento parou de chorar. Passou o braço sobre o nariz, limpando, respirou fundo e apontou a cabeça lá pra baixo gritando de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Que merda é essa, soldado? Isso é uma ordem, porra! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nisso, Sonar conseguiu ver bem de longe na escuridão a posição do Sargento, mas como não o conhecia e por isso não o reconheceu, mirou e explodiu sua cabeça num &lt;span style="font-style:italic;"&gt;headshot&lt;/span&gt; tão belo que poderia ser propaganda de video-game, pensou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Daí Sonar continuou pensando em outras coisas e como numa &lt;span style="font-style:italic;"&gt;revelação&lt;/span&gt; iluminada viu que, devido a sua situação, se quisesse sair vivo desse isolamento noturno numa floresta sitiada, precisaria aceitar triunfantemente essa provação em sua vida e resolveu então escolher um rumo qualquer e torar reto. Era perigoso. Deveria haver ainda muitos inimigos e, se brincar, já estavam descendo. Até escutava vozes, “parece belga”, pensou. Respirou fundo e ...foi. Era claramente uma audaciosa e perigosa aventura que o esperava mas nenhum peso faz pressão quando o próprio caminho te convida a aceitar e você tem que aceitar e quer aceitar e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;aceita&lt;/span&gt; a sua tarefa. Embora alguns leitores não gostem de histórias com ensinamentos ou moral, nosso herói aqui já morre de saída, abortando sua história num traiçoeiro precipício, concluindo enquanto caía que a vida, assim como tudo aquilo que vale a pena, não precisa de continuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-5780625775081248582?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/5780625775081248582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=5780625775081248582&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/5780625775081248582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/5780625775081248582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2011/05/sob-o-fardo-de-guerras-que-ninguem-viu.html' title='. sob o fardo de guerras que ninguém viu .'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-N3AX9r4DdhQ/Tn5T-u2uY2I/AAAAAAAAAIc/xwHWc0reUKI/s72-c/ceusoldado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-236665248365958258</id><published>2011-04-08T19:45:00.006-03:00</published><updated>2011-04-08T20:30:33.658-03:00</updated><title type='text'>. gatos e coelhos .</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-d_TOegqp_9M/TZ-QNUIXEYI/AAAAAAAAAH4/aft-R0TlVUM/s1600/rabbit-cat.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 335px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-d_TOegqp_9M/TZ-QNUIXEYI/AAAAAAAAAH4/aft-R0TlVUM/s400/rabbit-cat.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5593347820633919874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Três coelhos começaram uma baderna dos infernos. Deve ter sido o bolo de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cenoura&lt;/span&gt;. Eu queria muito comer sossegado e então soltei o cachorro da minha mulher. Era um poodle, ele saiu correndo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;dos &lt;/span&gt;coelhos e esses como que latindo atrás dele. O cachorro me pediu colo - ou ele também queria &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cenoura&lt;/span&gt;? - desesperado. Pensei em como é estranha a palavra "cenoura".  Eu nunca tive dó de cachorro mesmo então deixei o poodle lá, pra alegria dos coelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Minha mulher - dona do poodle, e que pensei que já tivesse saído – já veio me olhando torta pedindo pra ajudar o cão dela, afinal, aquele era um dia feliz. O bolo era em comemoração à seu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;terceiro &lt;/span&gt;catálogo premiado sobre texturas subliminares em brinquedos infantis. Ela era realmente muito boa em texturas. Entendia tudo só de colocar a mão. Nossos filhos nunca tiveram brinquedos, além daqueles que Deus deu à eles - ou dará, pois além deles não terem brinquedos, nós ainda nem temos eles - Tirei o poodle do chão mas não sabia mais o que fazer com ele em mãos, pois eu já tinha me preparado pra comer o bolo. Isso me fez lembrar de certas emoções enferrujadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Tá vendo, meu bem? - eu disse, com o poodle no colo - Você sempre me criando problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Amor, não é melhor você calar a boca? Da última vez que trocamos uma idéia acabou ficando claro que você era um idiota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Hoje é diferente. A &lt;span style="font-style:italic;"&gt;situação &lt;/span&gt;é que faz um argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - E isso lá é argumento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Sim, naturalmente – não gosto quando ela começa perguntar – É um bastante legítimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Se for, me mostra então a situação que faz &lt;span style="font-style:italic;"&gt;esse &lt;/span&gt;argumento. Vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Mas, meu bem, eu já te expliquei isso, tal situação é metalingüística! – eu tentava me conter sem paciência – Sendo assim, é algo impossível de se dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Pois então, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cala a boca&lt;/span&gt;, tá vendo? Tu é otário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Por essas e outras essa vadia me irritava. Ela estava de saída, logo logo os coelhos terão seu cachorro. Como disse, não tenho pena de cão. E pra começo de conversa, nem sei &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pra quê&lt;/span&gt; coelhos! Será que todas as mulheres são loucas que nem as minhas? Vou chamar os coelhos de “xis” a partir de agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Meu bem, antes de você sair – eu disse com minha melhor voz - Pense bem, você gostaria que eu oferecesse xis ao cachorro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Depende, xis é “coelho”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Até parece! - eu disse, mas a vaca foi esperta - Dá onde você tirou isso? Nada a ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Então é “gato” e nesse caso pode dar pro cachorro. O gato é filhote, ele é fofo e o cachorro também. Não vão brigar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Do que você tá falando? – eu já estava começando a ficar puto - Ficou loca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Ué, de animal, tirando o cachorro, só tem coelho ou gato aqui em casa, é fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - E quem falou que xis é animal, porra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Porquê “ração” não é, pois você sabe que pode sim dar ração, então não teria me perguntado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Escuta aqui... – gaguejei, e como eu gostaria de ser mais homem pra enfiar-lhe um tapa, mas eu só disse, num lento ênfase: - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;que o seu próprio andar atraia a desgraça ao seu caminho&lt;/span&gt;, vaza daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela sorriu, e jogou sujo como sempre. Talvez pior, pois, dessa vez, foi andando pro meio da sala e abriu a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;minha &lt;/span&gt;gaveta secreta na cômoda que eu nem sabia que ela sabia! Arrancou uma camisinha do meu pacotinho e fechou camuflando de um jeito que eu achava que só eu fazia! Saiu me olhando e se sorrindo toda, trancou a porta devagar. Que vaca, meu Deus, que vaca. E ainda tinha algo a mais que queria me vir à mente mas não me vinha. Eu acabara de ficar embebido num ânimo de merda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Porém, num pesado &lt;span style="font-style:italic;"&gt;apesar&lt;/span&gt;, e que me critiquem os mais espertos, mas em vista de não causar outros problemas, e que eu seja um frouxa pois acho que sou, mas eu acabei por fim fazendo o que ela me pediu – &lt;span style="font-style:italic;"&gt;por essas e outras é que a humanidade ainda existe&lt;/span&gt;, filosofei um pouco - e mais, não só protegi o cachorro dos xis como também dei banho e tosa. Até limpei o mijo dos fundos - mas deixei a merda pra ela limpar, fiz que não vi - Tudo estava enfim correto, agora eu podia, finalmente, voltar a me preocupar em comer o bolo de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cenoura &lt;/span&gt;despreocupadamente, já estava quase esquecendo de como eu queria comer isso mas, estranhamente, não vi mais onde estava o bolo. No entanto, seria impossível vê-lo, pois não havia mais bolo; algo o comera. Só farelos e moscas. E eu com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;muita &lt;/span&gt;vontade de um pedaço. Fiquei pensando em quem pôr a culpa e logo o telefone tocou. Aí quando é assim, você atende. Era um velho conhecido, eu não queria papo, mas ele me soltou uma bomba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Velhinho, lembra do processo que a gente moveu? Fudeu e os cara tão no contra-ataque pesado. Todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Faltou mencionar que esse conhecido era adevogado. Mas eu não lembrava de nada. Então eu disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Eu não lembro de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não brinca comigo! Uns três anos atrás, a gente fez até denúncia em jornal, como você não lembra? Parou de usar droga? Velho, a gente apelou. Descemos o cacete no Procon. Quer dizer, eu que dei as entradas mas os pedidos eram nossos... - nesse instante, o gato filhote começou a querer subir minhas pernas - ...a gente achou que eles não queriam ajudar mas era a gente que tava viajando, meu. A Jontèx provou &lt;span style="font-style:italic;"&gt;que não erra a quantidade de camisinha&lt;/span&gt; nos pacotinhos. Juntou eles e o Procon. Vão descer porrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Caralho! - o passado que se explica lentamente é como um zumbi gosmento saindo aos poucos da escuridão – Então era isso! Minha mulher me rouba e é uma puta faz tempo! - eu falei alto sem querer, e também pensei “deve ser por isso que eu sempre senti um gosto estranho na boca dela” - Ave...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Co.. como assim – disse o adevogado - você não sabia? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sabia o quê? - perguntei grilado - Que porra é essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Cara, por nada não, sua mulher faz o ponto três vezes na semana, lá do lado do bar, ela sempre diz que você não liga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Como assim 'sempre'?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Velho, foi mal mas &lt;span style="font-style:italic;"&gt;esquece &lt;/span&gt;essa merda, te aconselho a se preocupar mais com o Procon e a Jontèx pois os cara tão querendo até...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Desliguei o telefone, óbvio. A essa altura o gato já tava me enchendo querendo bicuda decerto. Miava e me olhava como que dizendo "meu, essa porra tá ficando uma merda". O dia parecia ter parado na linha ajustada da desgraça. Tenho que esquecer disso tudo... e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;como &lt;/span&gt;eu queria o bolo! Bolo de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cenoura&lt;/span&gt;. Cenoura! Embora a Jontèx seja especialista em foder os outros, meu estado mental se preocupava mais em onde minha mulher guardou a receita do bolo, nunca fiz um que... mas, de repente, no meio dessa confusão escura, ajuntando peças dos quintos dos infernos, tudo ficou claro como o fogo de um isqueiro: minha mulher saca de textura porque &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pratica a pegação&lt;/span&gt;. Bati a mão na testa e me senti um Niels Bohr deixando escapar um ou outro Nobel em Física: "Mas que coisa óbvia! Como pude ser tão idiota? Isso é maravilhoso!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas no meu caso isso &lt;span style="font-style:italic;"&gt;não &lt;/span&gt;era maravilhoso - e no caso de Niels Bohr, também não foi para Hiroshima - Minha vida anterior já parecia não ter mais volta, ou valer a pena. Processado, corno de puta e até no quimba de jeba. Alguma mudança se auto-proclamava, algo deveria ser feito: esqueci que tinha começado a chamá-los de xis e escolhi uma coelhinha entre os três coelhos, resolvi que essa coitada seria um mártir da minha desgraça, junto com o poodle, naturalmente.  Isso também não iria resolver meus problemas, mas toda e qualquer convivência saudável depende de doses homeopáticas de catarse e, como diz Platão: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“se não tem internet, vai com a mente”&lt;/span&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que bolei da mente foi o seguinte: derreti ao banho-maria até borbulhar algumas deliciosas barras de chocolate Nestlè - que eu jamais processaria! - e pressionei firme o poodle enquanto derramava o chocolate sobre ele. Ele gritou mas foi só no início. Não demorou muito e também não mais se mexeu. Tentei moldá-lo em forma de ovo e, confesso, ficou melhor depois de seco. E ficou até bonito, esse ovo. Então escrevi um bilhete explicando que eu só iria aceitar daqui pra frente gatos e coelhos em casa, não mais cachorros – aproveitei e já desejei uma feliz páscoa, para que não me encha o saco depois se eu esquecer –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Abri a barriga da coelhinha com uma faca - porém fui piedoso e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;não &lt;/span&gt;a matei antes pois eu queria lhe dar a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;oportunidade &lt;/span&gt;de se sentir grávida antes de morrer, mas só depois vi que era um macho... - Enfim, de qualquer forma, coloquei o ovo lá dentro de um jeito que ficasse bem natural. Deixei na geladeira, pra quando ela voltar, por que sei que gosta gelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-236665248365958258?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/236665248365958258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=236665248365958258&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/236665248365958258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/236665248365958258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2011/04/gatos-e-coelhos.html' title='. gatos e coelhos .'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-d_TOegqp_9M/TZ-QNUIXEYI/AAAAAAAAAH4/aft-R0TlVUM/s72-c/rabbit-cat.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-6424581594904851044</id><published>2011-03-19T15:57:00.006-03:00</published><updated>2011-03-20T01:12:22.771-03:00</updated><title type='text'>.crime bizarro.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-caJ2fBXEVG8/TYT87cB4sGI/AAAAAAAAAHw/nRIRo8foAfU/s1600/copia-de-groselha-milani.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 250px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-caJ2fBXEVG8/TYT87cB4sGI/AAAAAAAAAHw/nRIRo8foAfU/s400/copia-de-groselha-milani.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585867535912841314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Houve um momento em que a suposição estava dividida entre Susaninha Finca Poste e seu macaco cozinheiro adestrado, chamado Darwin. A cena era intensa, e tudo dependia não só da opinião mas também da memória de uma criança, sua filha, que, embora não diagnosticada oficialmente, emitia claros sintomas de retardo. Mas era esperta, a seu modo: pelo menos mais do que o macaco. Além de Susaninha, Darwin e a infeliz criança, estavam presentes o padre Gorth (missionário da Suíça ou Armênia), o xerife coronel e técnico em informática 'Rxbnsmo' (que exigia que se dirigissem a ele por seu nick  pró-hacker) junto com duas soldadas bem jovens, mais a legista Margareti (especialista em autópsia em negros), além do pai da retardada, Zé Parede, um porteiro pobre, filho de milionária, mas com muito orgulho da profissão. Ou ex-filho, pois bem no meio daquela suntuosa e bela sala de estar o corpo de sua recentemente falecida mãe chocava a todos, sem roupas, amarrado numa posição selvagem, cinco camisinhas sujas de sangue e um cabo de vassoura, ao lado, também sujo de sangue, até a metade. Duas gosmentas poças de sangue deixavam tudo ainda mais... uma perto da boca, outra perto da bunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dona Cecília Robusta morrera assim há mais ou menos duas horas ou três dias, segundo margem de erro. De qualquer forma, a criança teria presenciado, mas talvez era especial demais para ser útil de alguma forma - por obediência à cartilha o xerife 'Rxbnsmo' até chegou a cogitá-la como suspeita de matar a avó milionária, mas simplesmente olhar para aquela garota lhe causava tanto estica-boca que ele preferiu nem investigá-la (inclusive sentiu uma ponta de felicidade por ser assim tão rebelde em respeito às normas) - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos ali estavam pressionados e abalados por aquela situação tensa, uns tentando encontrar algo, outros talvez tentando esconder. O xerife se lembrou de ascender um cachimbo e ficou bastante desapontado por não ter pensado nisso antes, havia mais de meia hora que estavam ali e analisar em silêncio uma bizarra cena de crime é algo tão raro que merece sempre ser feito com um cachimbo aceso - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"de que valem as situações raras da vida se não podemos aproveitá-las ao máximo?"&lt;/span&gt; o xerife ficou bem feliz por ter pensado tal frase bonita e se remoeu muito por não poder postá-la imediatamente em seu twitter; não resistiu e olhou pros lados procurando ao menos um laptop - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas encontrou apenas os cândidos porém analíticos olhos de Zé Parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não vai investigar, xerife?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Qual a sua profissão, seu Zé?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Somos responsáveis por abrir suas portas, selecionar suas visitas, suas cartas e coisas deixadas aleatoriamente na portaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Diga-me, então, o senhor vê aqui algo que possa ser classificado 'dentro' e outro algo que possa ser classificado 'fora'?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Eu filtro pessoas e objetos, não perguntas. Mas me parece que nada aqui, além das obvias porções escancaradas de mamãe, nada aqui se presta a tais classificações. Por que essa pergunta, tenente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Xerife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Xerife!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - O senhor é o próprio xerife, por quê está chamando ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Essa piadinha infame foi para lhe mostrar que eu sei de seu segredo... se o senhor fosse mesmo o xerife teria ascendido o charuto quando entrou, não é? Não é? Uh? Não é? Diga, tenente, onde está o xerife? Mamãe parece que está morta, mas o mundo não irá parar por causa disso, as pessoas continuam se acumulando lá na portaria. Preciso voltar. Se o trabalho não dignifica o homem, pelo menos estabelece horários. Uma vez, fui no banheiro na hora errada e quando retornei a confusão era tamanha que os moradores preferiram demolir o prédio. Na ocasião, eu fui inclusive nomeado Papa por não ter tomado partido. Tré Cool e Ana Maria Braga me indicaram ao prêmio Nobel da paz. Novamente não pude, eu estava selecionando pessoas. Mas ontem, por exemplo, Chico Xavier se psicografou em minha xícara de chá e me disse que eu era a reencarnação do Internet Explorer. Sou tão bom em selecionar as coisas que quando a Mãe Natureza for despedida, Deus já me garantiu o emprego de Seleção Natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Bem, e isso me leva de volta ao meu primeiro suspeito, o macaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Evolua o argumento, xerife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Sua mulher, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Susaninha Finca Poste ficou puta. Naturalmente. Como ousara? Havia sim &lt;span style="font-style:italic;"&gt;´etros&lt;/span&gt; de distância entre sua ingrata profissão de bedel de circunferência de poste e os adendos de um xerife. Mas ela não era assassina - nunca jurou o amor, por exemplo - e embora sua filha fosse retardada, não gostava de ser assim caluniada na frente da coitadinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Esperem um pouco! Acho que eu posso falar alguma coisa... - amenizou a médica legista, já na autopsia - Se a vítima fosse &lt;span style="font-style:italic;"&gt;preta&lt;/span&gt;, eu teria algo para ajudar aqui, pois o corpo deles por dentro também é diferente. No lugar do coração, por exemplo, os negros possuem uma cachoeira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Com um único tiro, Zé Parede também matou a legista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Odeio poetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Logo em seguida, apontou a arma para o xerife, que ainda pensava em cachoeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Sinhô doutor oficial 'Rxbnsmo' de merda, vamos, trabalhe. Investigue, quem você acha que matou mamãe? Cuidado pra não responder errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todos ali na sala, inclusive a retardada (mas por outros motivos), não sabiam o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Xerifêzinho, escuta. - continuou Zé Parede - Ascende logo a merda do charuto que eu não converso com policial veado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O xerife pegou tremendo o cachimbo e tentou ascender. Um estrondoso e violento &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tapa &lt;/span&gt;em sua cara jogou o cachimbo pra longe. Zé Parede ameaçava enfiar-lhe ainda outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Cachimbo?! Tá se achando o Beethoven? Porra. Sabe por que ele ficou surdo? Sabe? Sabe? Sabe? Responde, caralho!- e então enfiou-lhe outro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tapa &lt;/span&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Só não continuou por que, nesse instante, algo inusitado aconteceu. A retardada se aproximou de sua avó morta. Parecia convicta de alguma coisa. Colocou lentamente as mãos sobre sua cabeça ensangüentada e ficou ali parada. Depois, deu uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;profunda fechada&lt;/span&gt; nos olhos e abaixou a cabeça. Mas foi só isso. Nada aconteceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Tá olhando o quê, xerife? - disse Zé Parede - Tá esperando milagre, porra? - e novamente lhe enviou outro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tapa &lt;/span&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No entanto, um brilho intenso começou a irradiar do meio da sala. Dois pares brancos de asas emplumadas saíram das costas da retarda que começou a levitar. O vento aumentara e soava como um coral gregoriano. A avó levantou viva, sem entender nada. Três dos Teletubbies apareceram rastejando pela janela, oferecendo bolo de morango, suco de groselha e panfletos com o &lt;a href="http://cuidadossaude.com/2010/05/beneficios-da-groselha-para-saude/"&gt;link&lt;/a&gt;. Dizem que até a Xuxa, hoje velha, apareceu por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-6424581594904851044?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/6424581594904851044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=6424581594904851044&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/6424581594904851044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/6424581594904851044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2011/03/crime-bizarro.html' title='.crime bizarro.'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-caJ2fBXEVG8/TYT87cB4sGI/AAAAAAAAAHw/nRIRo8foAfU/s72-c/copia-de-groselha-milani.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-810056629947891656</id><published>2010-06-21T19:42:00.008-03:00</published><updated>2010-06-21T20:16:19.364-03:00</updated><title type='text'>.dos detalhes do apocalipse - última trilogia.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/TB_sM8sxroI/AAAAAAAAAHY/f2NspmKVElg/s1600/urso.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 268px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/TB_sM8sxroI/AAAAAAAAAHY/f2NspmKVElg/s400/urso.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485362578357071490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;3.1 – Contribuições para a história do Corpo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Merda ou não, aconteceu. Sabe-se lá de onde veio mas Maria Conrado, talvez por ser agora padre em missão, cumprira com sua palavra. Em menos de uma semana o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;elemento-dificílimo&lt;/span&gt; estava lá. Bola-Nada mal conseguia conter &lt;span style="font-style:italic;"&gt;o&lt;/span&gt; estremecimento. O dinheiro – que, lembramos aqui, foi a causa de toda ruína do já saudoso Jorge Crunei – nem sequer arranhava a cartilagem preocupativa da nova dupla. Se Bola-Nada estava feliz, não sei dizer o que Maria Conrado sentia. Nunca os religiosos ou os apaixonados ou os nóias sentiram sequer algo parecido (mulheres, deuses e drogas geralmente dão o mesmo efeito). A pedido de Bola-Nada, Maria não mencionou se foi mesmo do cabelo do super-homem que conseguira tal elemento mas mencionou apenas que houveram contribuições místicas e, depois de um gaguejo, inferiu: milagre! O grande Deus olhava diretamente para os dois. Eram eles a base da nova falação divina. Um simples olhar pela história humana de repente se revelou como um longo plano celestial – de Cristo à Crunei – a sociedade é só uma tediosa e irônica indústria para transformar seres-humanos senão em ferro ao menos em plástico; no meio do projeto, Bola-Nada e Maria Conrado se sentiram inspirados pelo Espírito (o que quer que seja isso) e perceberam um novo milagre da biotecnologia: o aço-em-plástico que produziram com o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;elemento-dificílimo&lt;/span&gt; fundia-se na matéria orgânica &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mammal &lt;/span&gt;em perfeita e nunca nem catalogada sincronia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Nassa! Vai ver dá até pra ressuscitar o Crunei com isso. Porra, com ressuscitação, aí sim vai ser sagrado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Esquece isso, Maria, olha pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Bola-Nada então, tal qual um exterminador, mostrou-lhe sua nova mão: um absurdo. Parecia tudo normal. Exceto que o branco-azul meio reflexivo na superfície não era luva senão a própria pele de Bola-Nada. Antes ainda de qualquer reação mais intensa de Maria em relação a isso, Bola-Nada abriu o roupão e mostrou-lhe as pernas também trocadas. Foi Maria agora quem sentiu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;o&lt;/span&gt; estremecimento. Apesar do corpo de Bola-Nada transformado boa parte em plástico, Maria, embebido de sua fé, pôde sentir sem dúvida alguma a sagrada ironia de Deus massageando-lhe o coração de carne. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Augúrio altíssimum”&lt;/span&gt;, veio-lhe a certeza em latim. Com tal espírito da coisa, Maria Conrado, de lágrimas nos olhos, abraçou o amigo e jurou para todo o sempre lhe chamar somente pela sincera alcunha de ‘anjo’, sem aspas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - ...pois não importa o que fazemos em vida, alguns estão condenados ao céu. Que seja feita vossa montagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dessa forma, Maria se posicionou na cadeira enquanto o Anjo separava-lhe os remédios e, agora sim, a loucura começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;3.2 – As raízes da ira divina&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Depois da completa transubstanciação de ambos, outra idéia milagrosamente surgiu: o Quarteto do Adeus deveria voltar a agir e, agora, sob produção divina! Sugestivamente, não só Jorge Crunei morrera suicidado, mas o outro membro do quarteto ainda não apresentado também se fora assim um pouco antes de Crunei, e por isso não pôde ser convocada também (na verdade, era uma garota, chupada de tanta carga, seu nome era Mávida, suicidou com uma facada no olho). Maria contava assim somente com o seu novo Anjo. Dois seres provavelmente divinos, ainda sem apóstolos ou pedigree, mas já inclinados a espalhar como peste as coisas do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Maria, ótimas notícias. Marquei o grande evento. Consegui inclusive inúmeras transmissões ao vivo. Também já conseguimos apóstolos, estou providenciando a montagem. Tenha certeza, as pessoas entenderão o recado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não duvido, meu anjo. A Inquisição, além de ser um dos momentos mais sinceros da História, teve a sua mensagem claramente entendida até pela plebe. Guerras e opressão, é só isso que somos, é só isso que entendemos. Principalmente guerra. Conduziremos todos pela força aos portões da conversão. Deus prometeu sim a salvação, mas nunca disse que seria agradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Apesar do palavreado pomposo e, sem querer soar exagerado, de fato, o que aconteceu em tal evento marcou para sempre o rumo das coisas (esse parênteses não significa nada). Lembramos aqui que o Quarteto do Adeus tinha antes adquirido imensa fama internacional então foi fácil chamar atenção mundial para tal evento. Mas não foi um show, ou melhor, foi um grande show! No auge, os portões foram trancados e os novos seres apresentados ao público. O mundo caiu embasbacado perante eles. Muitos fizeram fila para a conversão ali mesmo, outros choraram. Ao que tudo indicava, o batismo seria opcional. Porém, logo o plano se revelou. A demonstração fora simples: um gás lançado às pessoas e, entre os atingidos, só os seres de plástico sobreviveram. Antes de alguém perceber realmente o que estava acontecendo, os apóstolos pegaram armas e iniciaram a sagrada correção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Percebam, todos! – gritava Maria no auge da celebração - Já veio a nós Aquele reino! Vejam, não somos covardes, estamos atirando em nós também e é essa a nossa mensagem, os convertidos não morrem, nem com a fumaça, nem com o tiro! (mistério)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Obviamente, nesse dia – como em todos da história religiosa – só os convertidos se salvaram. A chacina foi imensa. Mas isso foi só a primeira missão. A ‘palavra’ se alastrava pelo planeta. Dias se passavam e a lei mundial não conseguia se adaptar a tempo de impedir o avanço do plano divino. Os protestos e as conversões se multiplicavam quase que na mesma proporção. Porém, talvez pelo medo ancestral de ficar &lt;span style="font-style:italic;"&gt;podre&lt;/span&gt;, aos poucos a humanidade cansada se rendia como um todo. No fim de um par de meses a temerária carne humana foi se extinguindo.  Se antes havia protestos contra, depois houve festas a favor. Eis uma eterna característica dos homens, viver de tal forma que, quando fuder tudo, já estarão todos prontos pra apreciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;3.3 – Um erro crasso de biologia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Então deu. O alarde foi tanto que ecoou onde não devia. Não quero aqui forçar a incredulidade do leitor mais do que todo esse relato já tem feito, mas a Verdade, mesmo quando não existe, deve ser dita. O tal acontecido foi que Ele – sim, Deus apareceu – resolveu enfim olhar para o nosso mundo. Digo ‘enfim’ para ajudar os leitores espertos, isto é, os que perceberam que, de sagrado, Maria só tinha o nome. Bola-Nada era tão ‘anjo’ quanto qualquer pipoqueiro pagão e, Jorge Crunei, outro idiota. Aqueles leitores que, além de espertos, forem filósofos, perceberão também como esse relato se auto-anula enquanto argumento. Se iniciei duvidando do poder da mídia, devo agora concordar que, por força interna do texto, o Quarteto do Adeus, mesmo com toda papagaiada em cima e a inegável importância histórica, não passou de um truste  midiático. Continuo afirmando que a mídia é impotente, mas agora temo que os homens sejam ainda mais. Ter uma personalidade para aquilo que somos é a melhor maneira de se achar único onde todos são iguais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, Deus não gostou nada do que viu. Nossos heróis não tinham mesmo pedigree e se Deus não agisse rápido, ou voltasse o Tempo, tudo se perderia. Santo Agostinho disse certa vez que, diferentemente do cinema, Deus faz seus milagres sem precisar de efeitos especiais. Sendo assim, Deus não voltou o Tempo, não fez as coisas caírem pra cima. Ele simplesmente escolheu aleatoriamente o melhor casal da espécie humana e impôs um acordo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt; “Resolvi acabar com tudo. Castigarei a humanidade destruindo-a pois ela só pensa em vingança e destruição. Vocês devem ir para a floresta, encontrem o maior Urso e se ofereçam de comida. Assim, vocês hibernarão no estômago dele. Pois daqui a sete dias vou fazer chover limão por quarenta dias e quarenta noites. Dessa forma, todo aço, plástico ou vida se acabará na Terra. Quando o mundo estiver novamente pronto, vocês serão regurgitados pelo Urso e voltarão e procriarão e a humanidade toda será descendente de vocês.”&lt;/span&gt; – e o casal fez tudo conforme Deus havia mandado –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o Urso fez seiscentos e um anos, o limão já havia corroído todos os seres de plástico e a Terra estava novamente boa para ser cultivada. O Urso acordou e viu que as coisas eram belas. Dizem que ele tentou regurgitar o casal, mas urso não rumina, e a História acaba assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-810056629947891656?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/810056629947891656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=810056629947891656&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/810056629947891656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/810056629947891656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2010/06/dos-detalhes-do-apocalipse-ultima.html' title='.dos detalhes do apocalipse - última trilogia.'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/TB_sM8sxroI/AAAAAAAAAHY/f2NspmKVElg/s72-c/urso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-5115725982071310209</id><published>2010-05-27T16:31:00.009-03:00</published><updated>2010-06-21T19:14:42.981-03:00</updated><title type='text'>.dos detalhes do apocalipse - segunda trilogia.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S_7LY93mkpI/AAAAAAAAAHI/PU5P1JCA2bg/s1600/cabelo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px; height: 259px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S_7LY93mkpI/AAAAAAAAAHI/PU5P1JCA2bg/s400/cabelo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5476037826714178194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;2.1 – O Aprofundamento do Golpe&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Como dito, Jorge Crunei e seus companheiros cooperaram desde o início com o grande projeto de Maria Conrado, seu pai, e assim conheciam – provavelmente mais que o próprio Maria - todo o procedimento de preparo do novo aço biodegradável. Até esse dia do choro e da depressão, Crunei considerava o conhecimento que tinha de tal projeto como só inútil mas agora vislumbrara o futuro. Ele se lembrou que sabia onde o super-homem estava escondido e isso faz toda a diferença: Jorge Crunei aperfeiçoaria o golpe! Os profundos conhecimentos que possuía em química superficial lhe garantiam, bastava trocar o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;glitter&lt;/span&gt; pelo cabelo do super-homem que o aço poderia substituir até o plástico mundial em maleabilidade suficiente! – a idéia toda é meio boba mesmo mas se fosse só por isso de crítica todo mundo tava é fodido: a tal da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;beleza da arte&lt;/span&gt; foi sublimada em embrulho de festa pois apesar do que ela já representou aos homens, seu único gesto nessa tardia despedida é um pum afinado, que inclusive ela afinou por capricho, pois já não há um só ouvido capaz de ouvir a...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Jorge Crunei foi arrancado de tais e importantíssimos temas quando percebeu um único empecilho fatal a seu plano. Era necessário um pequeno, desculpe o termo técnico, um pequeno &lt;span style="font-style:italic;"&gt;grudador de ferro capilar&lt;/span&gt;, coisa que não se acha. Qualquer graduadozinho sabe que esses novos televisores de plasma são apenas anagramas químicos de bombas que poderiam gerar forças grudantes... mas tudo junto no fim custaria mais do que Crunei já ganhara em vida. Seu estado era frágil. Essa pequena estúpida idéia vinda da alucinação infantil era a única coisa que o impedia da morte. Seus pensamentos assim lentamente escorregaram para um estado alfa ou beta... lembrou-se das grandes mensagens e dos grandes heróis. Para sobreviver numa grande epopéia como essa era necessário apenas &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;coragem&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;constância&lt;/span&gt;. Que seja &lt;span style="font-style:italic;"&gt;feio&lt;/span&gt;: coragem e constância! Essas duas palavras, embora soassem péssimas juntas, foram como que as últimas incógnitas decifradas na fórmula para a direção de uma vida que, como qualquer fórmula, está sempre na ânsia de se igualar a zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;2.2 – Dois patinhos na lagoa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crunei saiu na calada da noite e vendeu nos mercados da madrugada todos os bens que possuía e, como se não bastasse, correu para um cassino. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Isso é coragem!&lt;/span&gt; Foi pra roleta e apostou tudo no preto... – será sempre uma dúvida para os homens se são mesmo os deuses que interferem na freqüência do azar pois, para alegria de Crunei, a roleta deu preto.  Ele dobrou todo o dinheiro e dobraria novamente. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Isso é constância!&lt;/span&gt; Jorge Crunei apostou de novo tudo no preto e perdeu dessa vez. Infelizmente. Nada no mundo foi tão ruim quanto essa seqüência de ações. Assim, seu único chão esfacelara-se muito antes de conduzir a algum lugar. Agora sim decidira sua morte. Acabaria como um estúpido qualquer, mergulhado em genialidade. Para um último ato de solenidade perante a vida, não que valha algo, mas aproveitou que ia se matar e convidou um amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tal membro do grupo ainda não apresentado era, no fundo, o sustento teórico de toda a coisa, Bola-Nada, firme acadêmico e grande bolador do Quarteto. Se havia alguém possível de uma conversa nivelada com Crunei, esse era o Bola-Nada. Apelidado ironicamente por suas habilidades artesanais e conhecido por ser ímpar, Bola-Nada era senão a própria encarnação de um espírito livre ao menos uma boa paródia dele. Jorge conhecia o amigo e fez-lhe o telefonema mesmo de madrugada. Convidou-o para suicidar. Bola-Nada concordou em ir, de início, ao menos pra assistir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se encontrarem, num timbre carregado de desistência, Crunei já saiu contando-lhe toda a história com precisão. Da fugaz felicidade no cassino aos detalhes da transformação do aço. Fez o amigo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;escrever &lt;/span&gt;o endereço do super-homem, para o caso de não morrer ali também. Depois de dizer isso se calou misteriosamente. Abraçou o amigo, voltou a chorar. Bola-Nada não soube o que fazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge Crunei respirou fundo e retirou de sua jaqueta uma arma com uma única munição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe roleta-russa? - instaurou-se um silêncio pior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos observavam a existência das poeiras. Depois, como resposta, Bola-Nada deu uma profunda olhada no amigo e segurou sua mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Só se você for o primeiro, Crunei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Jorge Crunei aceitou e rodou o tambor sorrindo, mirou na cabeça e se matou.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Talvez um único posfácio a Crunei seja constatar a impossibilidade de nossa época gerar um autêntico Jesus Cristo. Jorge Crunei, apesar de um ótimo candidato para tal, foi apenas mais uma culpa expiada da atual mania dos homens em eliminar os deuses, mas não os sacrifícios." &lt;/span&gt;(dedicado a todos os Jorges Cruneis mortos inutilmente por bandeiras que seria melhor terem limpado a bunda)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;2.3 – De quando Deus foi só um bom-dia do Diabo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Bola-Nada saiu correndo dali. Resolveu rapidamente nunca mais pensar nessa história. Porém, não foi sem causa que comentamos sobre os maneios intelectuais de Bola-Nada, pois todo o projeto de Crunei sobre melhorar o aço em plástico tinha sim lá algum fundamento e, acreditem ou não, o próprio Deus ficaria impressionado com isso. Ao menos para Bola-Nada, que não conseguiu abafar um plano megalomaníaco lhe brotando dos ventos cerebrais. O único problema no antigo projeto de Crunei, infelizmente herdado pra o seu, era a tal existência de um elemento com maleabilidade geométrica tão precisa que seria mais fácil o cabelo do super-homem existir. Quem conhece até que ponto pode chegar a fissura inquisitiva de alguém feito pra isso sabe o quanto uma situação realmente boa é capaz de deixar tais indivíduos perplexos durantes meses. Jorge Crunei abalou o cientificismo de Bola-Nada, cujo projeto de vida se tornara agora tão ambicioso que ele redigira um longo tratado antes de pedir ajuda a Maria Conrado, lembramos aqui, seu antigo parceiro no Quarteto e pai do falecido Crunei, assim seria alguém confiável ou, ao menos, era essa a crença de Bola-Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No cair dos dias, porém, Maria Conrado agora desistira do diploma e virara devoto firme. Sua fé, antes de cegar-lhe a razão, aguçara-lhe os sentidos. Maria estava se acreditando missionário divino e isso, por incrível que pareça, se encaixou como uma luva no projeto de Bola-Nada. Maria disse-lhe reconhecer a mão de Deus no longo tratado redigido e queria ajudá-lo. Para demonstrar sua palavra, disse também saber onde conseguir o tal &lt;span style="font-style:italic;"&gt;elemento-dificílimo&lt;/span&gt; e que o conseguiria em, no máximo, uma semana. Bola-Nada primeiramente não acreditou, mas depois teve certeza da loucura do mundo quando o próprio Maria Conrado contou-lhe, pedindo segredo, que tal material era facilmente conseguido ao se arrancar um fio de cabelo do super-homem e que não era preciso se preocupar quanto a isso, pois o super-homem existe e ele sabia onde o dito estava escondido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Que merda é essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-5115725982071310209?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/5115725982071310209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=5115725982071310209&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/5115725982071310209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/5115725982071310209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2010/05/dos-detalhes-do-apocalipse-segunda.html' title='.dos detalhes do apocalipse - segunda trilogia.'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S_7LY93mkpI/AAAAAAAAAHI/PU5P1JCA2bg/s72-c/cabelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-5448504473505322206</id><published>2010-05-18T16:43:00.010-03:00</published><updated>2010-05-27T16:31:11.393-03:00</updated><title type='text'>.dos detalhes do apocalipse - primeira trilogia.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S_LunnJrLPI/AAAAAAAAAG4/7kcpbc1gtJ8/s1600/quartet.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 296px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S_LunnJrLPI/AAAAAAAAAG4/7kcpbc1gtJ8/s400/quartet.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5472698861500443890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1.1 - O Quarteto do Adeus &lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Era impressionante. Era de tempo verbal, não de tempo de época. Tipo, foi impressionante sacou? Eu lembro quando Deus botou a mão no meu bolso e deixou lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Esse era o Crunei. Seu nome era Jorge, mas aí botaram o Crunei de sacanagem. Ele tocava seringa no grupo. O nome deles era obviamente Quarteto do Adeus e ao menos um pouco de sua história merece ser mencionada. Antes, consistiam em um baixão de orquestra, um outro menor e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;dois violinu&lt;/span&gt;. Mas aí aproveitaram o sugestivo e forte nome do quarteto – além da notável inclinação dos músicos – e resolveram encarar o mundo de maneira profundamente sincera. Trocaram os instrumentos por apetrechos de drogas e fizeram arte com aquilo. Uma boa idéiazinha e um mínimo suficiente de talento e ousadia botaram o quarteto como farol de movimentos marginais. Uns furinhos na seringa e ela virou flauta. Rasgar e amassar sedas virou percursão. Fungação também é percursão. Também os isqueiros e as colheres e as eternamente sonoras &lt;span style="font-style:italic;"&gt;streichholzschachtel&lt;/span&gt;! Grandes sacolas de parangas viraram facilmente bongôs. Garragas e mais garrafas de tudo quanto é coisa ilícita se transformaram em um enorme contraditório de possibilidades sonoras. A arte pode ser uma droga mesmo para os mais fortes de espírito mas a droga sempre é arte até para o mais fraco dos homens. Alastrou feito uma doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Crunei, você já percebeu que absinto dá os sustenidos mais destemido que uma cerveja comum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Outra coisa. Uísque barato tem um som mais doce-franquejado.  Dependendo da música dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Meu... foda-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A mídia e os outros tipos de artistas tentaram primeiramente difamar tal projeto lembrando de múmias morais como “sociedade” e “prudência”. Nada impediu. Aproveito para observar que embora os doutotres gritando unissonamente sobre como vivemos a grande época da informação e como a mídia tem um grande controle de quase tudo, isso é naturalmente uma mentira. Os publicitários conseguiram tanto que hoje em dia nem as crianças crêem mais em nada. O mundo sempre adorou drogas e artes, juntas ou separadas.  A mídia é hoje como sempre impotente para mudar algo. O Quarteto do Adeus foi aleatoriamente sincero e o reconhecimento é sempre a melhor propaganda. A massa populacional é burra mas grande parte curte uma droguinha. Dados sociológicos provaram certa vez que se você conhece no mínimo três maconheiros você está indiretamente ligado a todas as pessoas no mundo. Isso é suficiente como justificativa de como um grupo socialmente cancerígeno como o Quarteto do Adeus cresceu rápido no coração das gentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1.2 – “O Adeus do Quarteto” ou “Do Nascimento do Golpe”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não só a justiça é feita de dissoluções mas assim como todas as dissoluções ambas são internamente feitas de tal  forma que ao se compilarem alguém sempre toma mais pois como dizem todos os xamãs, o poder é um eterno inimigo natural! Assim sendo como que programado, o grupo se desfez. Se desfez rapidamente pela inimizade crescente de dois importantes membros, Crunei, já apresentado, e Maria Conrado, seu pai e, na verdade, grande mentor da idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Seu Maria Conrado era um dançarino aposentado que nesses tempos se dedicava aos estudos; queria morrer senão bacharel, ao menos licenciado. Metera-se em química - reconhecemos que foi uma decisão suspeita – e se esforçara tanto que começou a ter idéias. Misturando perfume, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;glitter&lt;/span&gt; e uns padrões de ferro ele acreditou piamente ter descoberto um novo aço biodegradável. Vendeu quase tudo o que tinha e investiu na descoberta. Chamou seu filho e uns amigos com quem faziam um som e pediu certa ajuda no projeto. Não afirmaremos nada sobre a qualidade do resultado mas é fato que ele conseguiu sim produzir alguma coisa. Maria queira radicalizar ainda mais. Apetrechos de drogas estava algo já muito aceito e digerido pelo público. O Quarteto do Adeus deveria apavorar. Maria queria que o grupo trocasse os apetrechos de drogas por armas assustadoramente mortais que ele mesmo produziria com sua descoberta. Assim, tão avançado em cultura e indústria, ele estaria na vanguarda incondicional do mundo! O Quarteto seria novamente uma novidade absoluta e a sua descoberta iria na rabeira da propaganda. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“El golpe perfectum”&lt;/span&gt;, pensava ele em latim enquanto dormia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1.3 – Jorge e os pecados da infância&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Crunei não gostou. Argumentou que queria mesmo era investigar – foram essas as palavras – investigar as profundezas puras e mesquinhas da arte e que estava assim irremediavelmente descontente com o rumo do Quarteto. A realidade, porém, provavelmente era seu desgosto vindo de alguma desconexão tão não resolvida que, ao anoitecer, ele chorou descontroladamente durante longos minutos. No meio disso se lembrou de um dia tão ímpar na sua infância que por motivos óbvios tinha antes esquecido. Nem sempre é sutil o caminho da auto-sabotagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse longínquo e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;comic&lt;/span&gt; dia da infância brincava ele nos balanços de um pequeno mirante. Ao seguir um suposto aleatório caminho de sua bola ele se distraiu e quando percebeu estava já dentro de uma casa ali na frente. Logo quando entrou se arrepiou. Um vulto passou aos fundos da sala.  Foi muito rápido, mas não era preciso mais. Ele tinha certeza do que viu: era o super-homem que entrou voando pela janela e se trocou mais rápido que uma piscada, pendurou o famoso uniforme num esconderijo e, com a mão na barriga, entrou no banheiro. Crunei não lembra como saiu dali e então acreditou ter saído tão depressa da casa que nem percebeu pois logo depois já se viu de volta no mirante com a bola na sua frente, tipo teletransporte. Provavelmente ele estava só tendo sua primeira alucinação mas no entanto ele prometeu a si mesmo esquecer essa idiotice então dá na mesma. De fato, foi preciso uma profunda depressão e longos choros para que ele se lembrasse dessa visão. Como que num acerto divino, de repente, tudo se encaixou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge Crunei se alegrou. Ao menos um pouco. A roda viva é justa pois necessariamente não conhece nada sobre justiça. A felicidade é a unica coisa confiável nesse mundo pois ela é sempre de quem merece. O giro da Terra definitivamente não é uma prova de que o Sol brilha para todos, pensou ele - desperdiçando filosofia - pois nesse giro o Sol vai escolhendo precisamente a quem iluminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-5448504473505322206?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/5448504473505322206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=5448504473505322206&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/5448504473505322206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/5448504473505322206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2010/05/dos-de-detalhes-do-apocalipse-11-o.html' title='.dos detalhes do apocalipse - primeira trilogia.'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S_LunnJrLPI/AAAAAAAAAG4/7kcpbc1gtJ8/s72-c/quartet.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-7921166581076669198</id><published>2010-04-23T01:07:00.004-03:00</published><updated>2010-04-23T01:27:10.875-03:00</updated><title type='text'>.o grande salão de poker - quando a loucura é bem paga.</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;segunda parte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S9EdLGYjGpI/AAAAAAAAAGo/iD-C0Tgr90s/s1600/Chiado+incendio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 283px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S9EdLGYjGpI/AAAAAAAAAGo/iD-C0Tgr90s/s400/Chiado+incendio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5463179899506465426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Respirei fundo. Precisava resolver a japonesa rápido para poder ir calmamente terminar o dia numa sessão lucrativa adequada. Como disse, a surpresa é consistentemente constante quando se trata de Sebastiana. Com ela, o de repente virá. Mulheres assim são raras. Não importa como ou quanto você se prepara, ela sempre te pega por uma via não protegida, uma opção não analisada. Encontro após encontro. Noite após noite. Anos a fio. No entanto, se eu fosse realmente sincero com minha intuição, havia algo de exageradamente pesado no ar. Sem querer – nem de longe! – soar místico, a energia da Sebastiana era densa, mas não pesada. O clima ali estava pesado. Não acredito que a simples idéia dela me faça isso. Ouso pensar que é algo maior. Decido mesmo assim ou por isso mesmo ir correndo para o quarto dela. Se tem algo realmente acontecendo eu espero estar numa posição vantajosa &lt;span style="font-style:italic;"&gt;quando e se&lt;/span&gt; merdas rolarem. Estar com Sebastiana é vantajoso, pois tenho sagrado comigo que lá no mais profundo fundo ontológico de todas as coisas há sempre uma dose construída de loucura que decide superfluamente as certezas universais e nos indica um caminho melhor de forma precisa e irredutivelmente individual – mesmo que esteja tudo errado –... eu estava já alcançando a escada quando discretamente porém, um garçom veio falar comigo. Eu realmente não queria falar com empregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sua cara era vagamente familiar, não lembro o nome desse. Ele estava tão tenso com algo que provavelmente me fez confundir seu semblante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Senhor, vamos lá pra cima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos, senhor. Urgente. É que sujou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Vamos indo. Explico no caminho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amigo, não sei nem quem é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor, sério. Não há tempo. Sou da segurança do cassino. Trabalho há mais de um ano pro senhor. Vamos comigo. Explico no caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala já, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Primeiro que a Clarice loira fodia um cara da alta e ele viu o pé dela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - E daí? O veado nunca pegou pereba?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não sei. O fato é que ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De repente, o garçom fez que ia me salvar de algo e segurou alguém assim que apareceu na minha frente. Ele foi rápido e imobilizou quem quer que fosse. Eu vi em seus braços um par de olhos nervosos me procurando. Isso foi muito estranho, mas era um rosto feminino e até que demais de familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Mãe?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Filho! Eu preciso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Mãe, eu não entendo. Porra, mãe, foi a senhora reclamando do pé da Sabrina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - ...filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não tem vergonha, mãe? Pagando puta? Olha sua idade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Senhor, por favor, acalme-se! - interveio o garçom segurando meu braço e já se desculpando com minha mãe - O rapaz suspeito ao qual eu me referia antes obviamente não era a sua mãe, pelo amor de Deus. O senhor pode estar correndo perigo. Vamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Escute ele, filho, está perigoso, vamos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Vamos, senhor. – reinsistiu o garçom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Já entendi, caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Entramos os três no elevador e minha mãe começou a falar desesperada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Filho, tem gente morta lá fora. A coisa preta, filho. A fita se soltou então algo grande vai acontecer aqui. É melhor chamargh...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garçom tinha uma arma e matou minha mãe com um tiro direto na testa. Havia silencioso mas o som que mamãe fez morrendo vai me deixar com ânsia de vômito o resto da vida. O sangue se espalhou por todo o elevador. Quando fui ver, o cara estava com a arma apontada pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Fica quieto e cala a boca. – me disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ele apertou uns botões e com isso parou o elevador. O cara era bom. Depois pegou o celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Pai, matei a vadia. Sim. Sim. Como? Refém? Eu pensei que... sim... desculpa... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligou e ficou com a arma apontada pra mim e me olhando preocupado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Cara... - eu disse pra ele sem realmente entender nada do que acontecia – ...sem raiva nenhuma mas podia saber por que mataram minha mãe ou... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Meti um murro na cara dele de repente. O cara caiu e ficou lá. Dei um chute no pescoço pra garantir. Infelizmente, o único lugar seguro em que eu podia pensar era no quarto da Sebastiana. Resolvi pegar a arma do infeliz antes de sair. Um assalto e Sebastiana, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;que dia&lt;/span&gt;. Sebastiana não é só um ganha-pão de psicólogo, nela a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;zica &lt;/span&gt;é genuína mas no fundo ela sabe que se não fosse por mim estaria fodida num hospício estatal qualquer e que, dependendo do que for, é muito fácil voltar pra lá. Ela sabe ao menos o quanto a desgraça é profunda e como eu sou um mero grude nesse imenso lamaçal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estou querendo evitar pensar no principal, mas &lt;span style="font-style:italic;"&gt;enfim, alguma merda grande!&lt;/span&gt; Manuela falava a verdade então. O cassino está sendo fodido. Mamãe disse antes de morrer que a fita preta se soltou. Espero que os deuses da Bahia estejam dormindo. Ela conhecia bem a treta toda e não usaria essas palavras se não quisesse dar a elas significados precisos. Pois bem, quem diria? Acima de tudo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;isso&lt;/span&gt; vai dar merda. É necessário muita disposição pra permanecer na luta ao roubar assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Cheguei no quarto da Sebastiana. Me preocupou muito o fato de que a porta estava aberta, encostada. Respirei fundo. Rezo sinceramente para que ela não tenha fugido na confusão. Abri de mansinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sebastiana... – chamei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não parecia haver ninguém lá. Só não sei pra onde ela iria. Procurei nos cantos da sala parcamente mobiliada. Nada. Resolvi procurar no banheiro mas também nada. Ninguém. É quase impossível se esconder aqui dentro, os móveis e a decoração se resumem em alguns tapetes estranhos e pequenos bibelôs orientais. Voltei pra sala e nada mesmo. Ela fugiu. Foda-se. O melhor é sair desse lugar o mais rápido possível. Espero que ela fique bem. Já estou me arriscando demais pois se me pegarem vão me reconhecer de novo e aí sim eu terei problemas. Vou pelos fundos do cassino. Se acaso lá também estiver cercado &lt;span style="font-style:italic;"&gt;temo&lt;/span&gt; que será necessário algum improviso impressionante da minha parte. Eu pensava nisso quando tive dificuldades para abrir a porta do quarto até perceber que, na verdade, alguém tinha me trancado ali dentro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sebastiana, não faz isso... - olhei para os lados em vã esperança - ...agora não, abre essa porra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, nenhum barulho. Não sei se isso é também culpa dela mas o fato é que logo depois as luzes foram cortadas. Breu total. Ela poderia muito bem fazer algo assim, já fez pior. O que me deixa em dúvida é que pelos barulhos dos vizinhos nas paredes o cassino inteiro parece estar sem luz. Junta-se a isso essa minha ridícula intuição e acredito que, infelizmente, dessa vez a coisa pode ser bem maior que a mera birra de uma guria, embora louca de verdade.  Os gritos e barulhos no cassino começaram a aumentar. O hotel inteiro parecia estar em pânico crescente. Eu precisava pensar em algo urgente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois tipos de inimigos que atacariam abertamente um grande e evidente monstro, isto é, um grande idiota ou outro grande monstro. Conhecendo a situação como conheço, um grande idiota não teria sobrevivido até esse ponto. O que fecha o leque para uma gama pequena e assustadora de suspeitos. Poderia repetir isso setenta mil vezes invertido até, mas eu realmente espero que os deuses da Bahia estejam dormindo. Infelizmente, escuto o som da porta se destrancando. Minhas orelhas se encolhem involuntariamente e meus rins estalam uma nota tão aguda de chata que não sei por que achei que era fá sustenido. Minhas pernas precisam da parede. Estava com tanto medo que o silêncio me escorraçava numa polifonia pontuda de coceiras nas partes mais cômicas da minha espinha. Eu me contorcia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando resolvo me controlar e prestar atenção em volta, de alguma forma, sinto algo estranho no pescoço e no equilíbrio. Pareço rodar de forma inusitada e cair no chão. Tento me levantar e a consciência vai sumindo. Nos últimos segundos concluo que, de alguma forma, arrancaram minha cabeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-7921166581076669198?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/7921166581076669198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=7921166581076669198&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/7921166581076669198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/7921166581076669198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2010/04/respirei-fundo.html' title='.o grande salão de poker - quando a loucura é bem paga.'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S9EdLGYjGpI/AAAAAAAAAGo/iD-C0Tgr90s/s72-c/Chiado+incendio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-1502691170676764307</id><published>2010-03-07T19:35:00.014-03:00</published><updated>2010-03-07T20:10:47.214-03:00</updated><title type='text'>.o grande salão de poker - um mundo podre.</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;primeira parte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S5QtJzC_S9I/AAAAAAAAAGY/17lOgSGrHmg/s1600-h/foto.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S5QtJzC_S9I/AAAAAAAAAGY/17lOgSGrHmg/s400/foto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446027495742589906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A profissão tem suas vantagens. Mulheres que homens gastariam milhões se dispõem perante a mim a espera de um mero sinal. Qualquer frase é suficiente para me trazer qualquer uma delas. Sem esforço. Sem criatividade. Masturbar me seria mais trabalhoso. No entanto, não sei se na balança isso era realmente vantajoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pensava em minha sorte considerando coisas assim enquanto atravessava o grande salão de poker. Os pássaros podem se alegrar com o céu, os peixes com a água e o urubu com a carniça, mas o homem só se alegra no jogo. Gostem ou não, o sexo é algo tão exuberante quanto beber água quando se tem sede. Porém o homem já há tempos não é um ser puramente natural. Desenvolvemos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;modos &lt;/span&gt;que nunca farão sentido paralelamente a outro mamífero. Assim, vamos percebendo, criando e incorporando no dia-a-dia situações e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;modos &lt;/span&gt;absolutamente sem ligação nenhuma com foder, comer, dormir ou dejetar. Estamos a tal ponto dentro disso que há hoje poucas ações naturais e a menos natural de todas elas é secularmente difamada na expressão ‘jogo’. Eis minha proposta de definição humana, homem é o animal que joga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Conseguinte, a excelência de um homem é medida pela sua qualidade enquanto jogador. Grandes homens estão me rodeando e jogando de tudo. O grande salão de poker é democrático e permite todos os jogos. É tão imenso que ainda o estou atravessando e filosofando sobre a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;porra toda&lt;/span&gt;. O inatingível Enersto Tavares está sorrindo me convidando que até paga meu cacife só pelo prazer de sentar comigo. Lady Miu também, com o acréscimo do belo par no decote. Sei o que eles querem. Sei o que todos esses olhos me mirando querem. Simplesmente sigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estou um pouco atrasado mas nada grave. Clarice, aquela loirinha, não tem o direito de se enfezar. Lembrei de quando a conheci. O famoso Fabio Fatia foi contratado pra dar um fim na ninfeta anos atrás. Dizem que o infeliz conseguia cortar um homem vivo em setenta e sete partes impecavelmente iguais. Fiquei com pena da linda menina e contratei o velho e eficiente Seu Pedro Torque pra fazer o teste dessa divisão no próprio Fatia. O velho Torque é um filha da puta quando a encomenda é defunto. Te cobraria barato pra afogar os próprios filhos. Conseguiu encurralar o famoso Fatia mas me entregou apenas um pedaço e meio do infeliz, se posso assim dizer. Falou que é por essas e outras que nunca seria engenheiro. "O talento escolhe as pessoas", me confessou certa vez. O mundo nunca esteve tão convalescente com pessoas do tipo. Conheço no mínimo onze puteiros onde só se pode foder a própria mãe. Quis dizer com essa estorinha apenas que a Clarice ali hoje me deve seu sangue. Mas me paga de outra forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou com pressa hoje, é sério. Se puder ser rápida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cavaleiro&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Me desculpa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse isso num ápice de paciência olhando pra ela. A desgraçada era mesmo bonita de doer a vista e bastaria só aquele rosto para ter aos pés a metade do mundo. Nesse caso porém a escassa generosidade da natureza se estende incrivelmente além de um rosto. É impossível elogiá-la suficientemente com palavras educadas. Se fosse persistente, ficaria rica com isso. Ela forçou uma voz de dengo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Sua senhora aqui gostaria de lhe fazer um pedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Se não for gastar muito tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Eu gostaria de guardar um pouco do dinheiro pra tentar ver esse problema no meu pé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Era verdade. Ela adquirira uma pereba. Ultimamente só fodia de meia. Não sei o que ela quer pedindo isso pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Clarice, isso é impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - O remédio é caro e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Menina, ficou louca? Esqueceu o que isso significa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não, eu só estou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Então por favor, me passa a porcaria da grana e veste uma meia logo que se não me engano você já está atrasada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Desculpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Clarice me passou o dinheiro com um olhar que desmancharia qualquer coração destreinado – isso me faz lembrar que eu preciso de um aumento -. Dava vontade de no mínimo abraçá-la. Ela sabia disso e então me abraçou sussurrando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Você não vem mais aqui, você não pode me deixar sozinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eu saí logo dali. Estava ainda vinte minutos adiantado para minha próxima visita. É bom chegar um pouco cedo pois ainda é dia e a próxima parada é uma japonesa um tanto perigosa. Embora seja da terra do sol nascente, sabe-se lá porque deram a ela o nome de Sebastiana, talvez por ser louca. Não sei se isso tem a ver. Enfim, ela possui maestria nos mais exóticos jogos mas é consistentemente louca desde criança. Nem o nome consegue falar direito a desgraçada.  Reservei para ela tempos atrás um quarto num andar especial, do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci de novo para atravessar o grande salão e infelizmente vi alguém que não via há muito tempo, Manuela. Confesso que ela me desequilibra. Como faria com todos. Como vem fazendo há tanto tempo. Sem exagero, basta qualquer pedaço dela que você olhe fica claro o porquê dela ser uma das mais valiosas. Estava sentada com Dawchóvsky, o francês. O cara era um miserável que enriqueceu num negócio sujo envolvendo contrabando de crianças doentes. Não sei direito. Um tipo sujo. Como é que pode gente assim? Como é que pode gente assim podendo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;poder&lt;/span&gt; a Manuela? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela me viu mas fez que não. Depois se levantou da cadeira de tal forma que só essa visão valeria a noite de um homem. Deu um beijo lento na boca provavelmente fedida do francês e veio disfarçadamente em minha direção. Pelo menos conseguiu ser discreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Preciso falar com você...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - O que tá acontecendo? Por que você está falando comigo em público?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - ... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É necessário reforçar que Manuela é uma máquina mexicana que só existe para torturar a alma pequena dos homens. Felizmente eu a tenho nas mãos mas é um tanto difícil não atendê-la quando ela quer realmente pedir. Não importa seu sexo ou idade, você &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pagaria tudo&lt;/span&gt; por ela. Foi andando na minha frente vestida com um vestido de forma mais suficiente possível. Ao sairmos, éramos aparentemente desconhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fomos pros fundos e Manuela se mostrou assustada e disparou falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Acho que estão querendo roubar o cassino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Porra nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Estou falando, o francês, é coisa grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Manuela, se você estiver de novo tirando uma com...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - É sério, me escuta. Ele acha que eu sou italiana, ficou falando em espanhol &lt;br /&gt;com uns amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - E o que disseram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Sei lá. Não entendo espanhol...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enfiei um tapa na cara dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Vaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Seu filha da puta... estúpido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fui enfiar outro tapa mas ela me enfiou um primeiro, vaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Vaca! – eu disse - Fica esperta. Você anda abusando da minha paciência. Esqueceu o que esse tipo de coisa significa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Vai tomar no cu é o que significa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dei um leve empurrão nela em direção ao salão. Um dos treinamentos que tive para tal profissão é ter sempre em mente o teorema fundamental assim resumido: o problema de trabalhar com puta boa é que você tem sempre que lembrá-las que apesar de serem boas elas ainda são putas. Confesso que acho meio grosseiro, e quando eu possuir influência suficiente pretendo amenizá-lo. Talvez por esse detalhe em minha personalidade eu a perdoei. Deixei-a ir. Sei que não deveria. A benevolência é um dos piores empecilhos quando se tenta viver de modo seguro. Sei que meu destino é morrer por uma delas. Um dia me matarão e eu pressentirei isso tardiamente, com um leve arrepio nos ombros. Quando me enterrarem, o dia seguirá mais normal do que nunca e um dia normal será mais do que suficiente para qualquer uma delas se arrepender de ter me matado. Mas não hoje. Eu estava calmo, hoje não há motivos para preocupação. Um ótimo jogo me espera pelo fim da noite. Tenho que terminar o serviço rápido. Óbvio que não tinha assalto nenhum. Manuela gostava de me ver ensandecido. Ela já me pôs em paranóia inúmeras vezes. Isso é o pior que se pode acontecer no meu trabalho. Não sei como a deixam solta. Não é louca como Sebastiana mas incomparavelmente mais perigosa. Custei pra sacar o tipo dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Esperei um tempo e depois entrei pelo outro lado. Manuela é jovem, boa e cara, uma peça rara, mas é idiota. Se não fosse por mim, já teria casado com um qualquer. Hoje, assim como eu, ela tem tudo, inclusive futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela quase consegue me deixar preocupado. Isso seria muito ruim pois além de tudo eu ainda tinha que me encontrar com Sebastiana, a japonesa e, desculpe a insistência, é bom ao menos tentar se concentrar para isso. Não estou exagerando. Embora ela esteja no nível das melhores, não é nem de longe tão bonita como as outras. Acreditem ou não, o que vale dinheiro em Sebastiana é a sua loucura. Você, por exemplo, não conseguiria decidir se &lt;span style="font-style:italic;"&gt;prefere ela&lt;/span&gt; numa mesa ou numa cama.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-1502691170676764307?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/1502691170676764307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=1502691170676764307&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/1502691170676764307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/1502691170676764307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2010/03/o-grande-salao-de-poker-i-um-mundo.html' title='.o grande salão de poker - um mundo podre.'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S5QtJzC_S9I/AAAAAAAAAGY/17lOgSGrHmg/s72-c/foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-3870515964642728868</id><published>2010-02-12T22:20:00.020-02:00</published><updated>2010-02-13T11:37:45.926-02:00</updated><title type='text'>.tal como limão pra limonada.</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;- ou desobservações sobre a culinária francesa -&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Deleuze, diz que filósofo francês)&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X-v1eiVDI/AAAAAAAAAGQ/Do5mtazhuT8/s1600-h/d.png"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 208px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X-v1eiVDI/AAAAAAAAAGQ/Do5mtazhuT8/s400/d.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5437532222882206770" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caráter simbólico se mostra desafiadoramente como a única tradição possível a se superar ou se abandonar na consideração do topo secreto da Arte hoje se remistificando ao se desmistificar na descida em pequenas mentiras isoladas no preenchimento dos espaços publicamente acessíveis mas internamente subjugados por um subjetivismo passante de modo vertical e hierarquicamente formal sob as próprias possibilidades duvidáveis e escoantes da utilização simbólica fingida numa obscuridade de sensações esteticistas auto-desnuviadoras de um diletantismo cuja tarefa é eliminar ou entorpecer os &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;objetivos do símbolo&lt;/span&gt; para dar-lhe um cunho politicamente sustentável e pedantemente assegurar o pão ou a saúde de uma parcela social vingativa e ansiosa em diluir as bordas comunicativas e até etereamente destacadas contra os pré-rascunhos-auto-denominados-filosofia-ou-arte-tanto-faz-já hoje já adorados pois são adoráveis corrosivos edificantes necessários a um &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;gosto de plebe&lt;/span&gt; vindo daquela bile de ódio desses mesmos desavisados sobre o terreno delicado e perigoso do medo à fruição superior aprendido a temer e a amar através das lições diárias de shoppingcenter com joviais respiradas de consumo de oxigênio revolucionário no pano de fundo da percepção artística anteriormente adquirida nas etapas do abismo intransponível entre as explosões significativas e as rubricas vazias da possibilidade da nova abstração secularmente calejada na famosa “opressão do sistema” torpe e consciente sobre o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;lucro da firmação no não-significativo&lt;/span&gt; ao patamar de qualquer curioso ingênuo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;consumidoramante&lt;/span&gt; da áurea genial dos antigos já mortos ou dos vivos desenquadrados pela visão-de-calcanhar e por isso mesmo ambos descontemporaneizados na democratização dos conceitos em prateleiras onde nem um apontamento solto ou um leve direito de duvidar do preço já não são mais possíveis nem desejáveis ao se admitir a intromissão de dedos sujos em algo mais sujo ainda dentro da própria aposta simbólica do uso culturalmente cultuado em observar outra áurea também antiga mas agora sendo um intelectual representante de um suposto “povo” inexistente em qualquer época ou lugar se traindo ao se revelar assim com o máximo de claridade possível como o&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; escoamento e a descarada caluniação dos símbolos significantes é uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;nova arma alienativa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; de destruição das possibilidades raramente percebidas porém únicas sobre um desejado não-estacionar da caminhada de uma sociedade feita não só por tijolos e cimentos  (é possível ver os tijolos e os cimentos sem os c.a.r.a.c.t.e.r.e.s? (estamos diante do inverso do pedido para se ler a seguinte palavra  “________.”)) nos faz pensar apenas sobre a real e eterna necessidade de atropelamento contra as &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;vinganças da não-percepção estética&lt;/span&gt; no simples e hoje geralmente ignorado fato de que – e, vejam bem, não importando aqui o "nível" do seu francês – o limão é e será sempre uma&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;  verdade essencial&lt;/span&gt; na invenção de qualquer tipo de limonada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-3870515964642728868?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/3870515964642728868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=3870515964642728868&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/3870515964642728868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/3870515964642728868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2010/02/ou-desobservacoes-sobre-culinaria.html' title='.tal como limão pra limonada.'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X-v1eiVDI/AAAAAAAAAGQ/Do5mtazhuT8/s72-c/d.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-7630965671383190800</id><published>2009-09-18T11:58:00.007-03:00</published><updated>2009-09-18T12:21:03.310-03:00</updated><title type='text'>. uma solução pra nossa vida .</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/SrOimydAIvI/AAAAAAAAADs/DNhmK2psKak/s1600-h/camisa%2Bde%2Bfor%C3%A7a.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 152px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/SrOimydAIvI/AAAAAAAAADs/DNhmK2psKak/s200/camisa%2Bde%2Bfor%C3%A7a.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5382824766900019954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra, parece que Deus está me confundindo com uma barata. O relógio e seus minutos soam como um exército de vassouras querendo me exterminar. É como se minha garganta tivesse desistido de ficar no lugar certo e quer agora fugir ou descansar invertida pulsojacto. O ar entra em meu pulmão como vômito de velho. Eu queria saber como se faz quando seu auto-espectador te sabe pulsilâminente meio de lado e também um tanto burro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou andando com uma tremenda paciência pela rua. Espero sinceramente que ninguém me dirija palavra e de fato, de fato, não me esbarrem. Vocês conseguiram me deixar assim: preocupado estou com minha vida, coisa que ninguém &lt;span style="font-style:italic;"&gt;nunca &lt;/span&gt;deveria fazer. Explodir ou mumificar-se-mos? A questão é: que porra valem as perguntas prudentes? Eis a fita: toda resposta é bláblá-prudência. Quem não é prudente grunhe feito porco sem pergunta. Infelizmente, eu sou o ápice do comedimento humano. Todos os fluxos místicos fortalecem quem sabe &lt;span style="font-style:italic;"&gt;medir&lt;/span&gt;. Espero que Amanda se foda nessa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não &lt;span style="font-style:italic;"&gt;devo&lt;/span&gt; mais ‘gostar’ dela, sim. Ela é boa – culpada pelo meu estado. Eu queria abandoná-la em pensamento mas ainda quero ficar torcendo pra tudo dar errado na vida dela. Não quero abandoná-la e nunca mais vê-la. Se eu puder atrapalhar, farei-o-o. Nada nesse mundo reformaria minha sanidade com mais competência do que assistir um longo e repetido período de sofrimento daquela mista de porca com feto humano e ainda sendo delícia. Suas lágrimas seriam meu melhor bálsamo, ainda que fedidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, preciso urgente achar uma solução para minha vida. Antes de esbarrar em alguém eu voltei pra casa. Precisava pensar uma maldade pra pensar. Olhei pro livros. Há algo que me intriga muito naquele tanto de palavras juntas: é mais absurdo essa porra ter ou não ter sentido? Me veio uma grande idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tranquem os livros para que pululem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei feliz com essa decisão. É engraçado se alegrar quando nos alegramos só raramente. Eis uma alegria que é preciso ser triste para senti-la – bicha –. A maldade é algo que não precisa de eruditismo e muito menos da falta dele. No entanto, algo ficou. Forte como a desgraça. Amanda é uma pomba. A desgraça é uma gosma cerebral posta pela garganta aos ouvidos. Impr&lt;span style="font-style:italic;"&gt;é&lt;/span&gt;gna ripado de frescatas de frascos de fasquia todo o corpo fressurento de frescor sofístico frrssc. Tudo foi porque percebi que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;decidi&lt;/span&gt;. O que me ficou egormecido foi a pequena alegria da decisão tomada. Pequena mas alegria. Resolvi então tentar decidir mais coisas pequenas assim. Capturação fragmentada e gradativa da auto-estima. Amanda se foderá. Decidi então desescrever seu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mudei, decidido de novo, aplicarei engenharia reversa num biscoito... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse isso mas comecei a fazer flexões de braço. Parei na oitava. Percebi que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;se &lt;/span&gt;eu não parasse &lt;span style="font-style:italic;"&gt;agora &lt;/span&gt;essa velocidade decidialetória que se apossava de mim iria se tornar um vício e, tal qual o mais célebre e sábio discípulo de Heráclito, eu morreria sentado no silêncio. Afunilando em tamanha profundidade semântica percebi que isso de parar de ficar decidindo foi novamente uma decisão. E, novamente, me trouxe felicidade. Ah, os milésimos da perfeição... me senti assim um noiado. Mas respirei fundo e me acalmei. Não é possível que as coisas nessa merda sejam decisõesinhas como se cachimbo ou lata. Bastaria não decidir pensar decidir. Bastaria como? Pois eu decido não decidir e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;não só não decido&lt;/span&gt; mesmo pois não decidir &lt;span style="font-style:italic;"&gt;é decidir&lt;/span&gt; não decidir, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava inspirado. O que nos mantém vivo, meus amigos, não é prazer ou sacrifício mas sim um longo ato de decisão. Falaria eu isso se fosse um monge &lt;span style="font-style:italic;"&gt;feio &lt;/span&gt;mas, na verdade, eu disse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...foda-se, surtei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui pegar um pano pra limpar a cinza queimada na roupa e escondi os óculos no sofá quando fechei a porta apoiando na parede pra abrir a porta novamente e ter dó do mundo juntamente decidindo fazer caminhadas três vezes por semana pra saúde no mesmo instante que chamei o elevador pois tinha acabado de resolver sobre cigarros, a partir de hoje, iria virar dos intravecalmente inexeqüíveis. Resolvi antes tomar banho e tirei a camisa mas plantei bananeira – isso eu não entendi –. De cabeça pra baixo eu fui brincar de aleijado com um pé só mas cacei em que direção um vento escroto tinha soprado minha nuca quando ignorei a janela e fui desarrumar a cama fingindo que eu tinha dormido pois eu tinha dormido na verdade na cozinha para lavar a louça e, por fim, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;decidi&lt;/span&gt;, sentei no chão. Parei. Ê. Parado. Paraiei-mo-no-los... monólogos. Consegui ficar parado. Fiquei parado quieto. Meu pulmão e seus longíquos decibéis. Descobri ser uma delícia crescente ficar decidindo não se mover a cada segundo que passa. Uma furiosa avalanche de silêncio se apossava de mim. Fiquei parado quieto como uma besta budista à espera do ou de nada. Desconfio ter babado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-7630965671383190800?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/7630965671383190800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=7630965671383190800&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/7630965671383190800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/7630965671383190800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2009/09/uma-solucao-pra-nossa-vida.html' title='. uma solução pra nossa vida .'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/SrOimydAIvI/AAAAAAAAADs/DNhmK2psKak/s72-c/camisa%2Bde%2Bfor%C3%A7a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-9156132482530998955</id><published>2009-07-04T21:59:00.007-03:00</published><updated>2009-07-04T22:17:22.462-03:00</updated><title type='text'>. seremos o que somos se somos o que fomos .</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/Sk_7IjD_6HI/AAAAAAAAADc/pk0TbcWmj7A/s1600-h/orquidea1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 180px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/Sk_7IjD_6HI/AAAAAAAAADc/pk0TbcWmj7A/s200/orquidea1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354774606236346482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Acho que você derrubou de propósito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Juro que não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conveniente, né? Logo em cima do meu peito. Vai aproveitar o clima nós dois aqui no seu quarto e se oferecer pra limpar também, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer limpar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha querida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer limpar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual o problema? Não há nada de errado em você me limpar o peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não há? – por um breve momento ele deu a entender que não continuaria a falar – Você não é, escute-me bem, você definitivamente deve ser boa de apertar mas eu conheço bem essa característica de vento grosso enfiado no rabo de porco com oito moedas antigas da mamãe alegórica homenageada na festa de enrabada de Dom Pedro Primeiríssima, o Deus-Sol. Sem querer dizer com isso que eu seja algum tipo de solução para o mundo em comparação com você que não é nada mas se não consegue ter um olho desintegrador de enigmas em cada pedaço desejável de sua cútis no mínimo então &lt;span style="font-style:italic;"&gt;aprenda a pose&lt;/span&gt; de quem vem de cima e perca-se nisso até ser natural. Quer saber, isso é conhecido entre as putas e os filósofos como coringa existencial. Agradeça-me, vamos, estou lhe entregando o segredo do universo. Saiba porém que a coisa nem é com você pois apesar de tudo eu mesmo assim me turvo na confusão das dançarinas com faceirice de virilha emocional e inchaço volitivo de tanto vai e vem técnico das vértebras labiais competível a nível mundial pois se dizem que até os deuses são inúteis quando não sabem dançar, imagine, então, e nós? Você, por exemplo, é uma delícia. Seria legal, se acaso conseguir, entender apenas que sobre seu peito há uma das principais defesas do conservadorismo dimensionalmente duro e convalescente ao escorregadio gozo dos libertadores nas democracites políticas pois é óbvio que as manhas femininas sempre renivelaram as evoluções e as soluções ao nível pré-animal que grunhe. Só isso já é razão para vocês serem tratadas cuidadosamente em vitrines de museus psicanalíticos com incansáveis placas &lt;span style="font-style:italic;"&gt;néon &lt;/span&gt;alertando perigo social e pedidos para que as garotas sirvam apenas para o que mais prestam, a preço de banana. Bem, eu dizia sobre enfeites, não é? Não? Na verdade, que se lixe. Tenho até outras idéias sobre a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;porra toda&lt;/span&gt; quando olho pra você desse jeito. Sabe, acredito que a psicologia e a pecuária – além das suas amigas – aplaudiriam tua conduta. Mas, criatura excelente, o quê sabem as ciências? Me abstenho sobre suas amigas... ora essa, cara de asco! Não conheci seu pai mas ele deve se envergonhar de ter uma filha com uma birra tão curiosa que nem percebe a chamada dos jorros entrelaçados no rodopio da trairagem normal e inadiável sobre a putaria objetiva que devemos ter nessa merda de vida pois nem a verdade e nem a fodelança lhe dão direito a algo. Muito menos o de estar certa. Olha, confesso que agora te olhando assim se ajeitando encolerizada vejo que é mesmo bonita feito pomba... claro, pomba gênio, pois se irrita numa tensão ensopada de aranha com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;el cortex&lt;/span&gt; labial da madame santificada na famosa e incansável cabeça do eterno caralho da meia-noite. Só peço pra quando sair não bater a... sua puta... e ainda vou ter que levantar e ir trancar a porra da porta. Viram? Eis hoje o homem: um sopro de merda na desgraça pela liberdade das bucetas só pra fuder com a caralice na mão. Não há esperança para os homens. A existência é uma imensa e voraz vulva faminta enquanto o homem é apenas um inútil vibrador falante. Orquídeas – e a natureza nos diz tudo – fodam-me todas. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ladies&lt;/span&gt;, vocês venceram. Estou de pau duro e agora já indignado por ter dispensado a vagabunda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-9156132482530998955?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/9156132482530998955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=9156132482530998955&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/9156132482530998955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/9156132482530998955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2009/07/seremos-o-somos-se-somos-o-que-fomos.html' title='. seremos o que somos se somos o que fomos .'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/Sk_7IjD_6HI/AAAAAAAAADc/pk0TbcWmj7A/s72-c/orquidea1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-2607770847282822729</id><published>2009-06-21T04:30:00.004-03:00</published><updated>2009-06-21T04:39:25.792-03:00</updated><title type='text'>. acordar ao lado seu... .</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/Sj3iR_hKgbI/AAAAAAAAADU/Td0Jfl8WF5w/s1600-h/acordar2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 124px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/Sj3iR_hKgbI/AAAAAAAAADU/Td0Jfl8WF5w/s200/acordar2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5349680731122205106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acordei puto. Algo tinha acontecido e nada me vinha à mente. Não tenho boas lembranças quando não me lembro das coisas. Talvez era o lençol que estava um pouco fedido. Infelizmente dava para se ouvir um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;jazz&lt;/span&gt; vindo de algum lugar. Acordei com aquela louca do meu lado já me olhando. Ela tinha uma cara impossível de se enfiar a mão no taposo. Digam o que quiseram, Deus só abençoa e protege as mulheres bonitas. O diabo é uma senhora feia insistentemente atraente e muito bem escondida entre as suas mais seguras manutenções da vida diária. O mal é tudo o que te explode com carência suficiente pra ainda fingir que nada aconteceu. Eis o perigo do excesso diário. Eu tentei sinceramente pensar em todas essas coisas mas nada funcionou, aquela desgraçada ficou me comendo a boca com os olhos. Nunca conheci ninguém que olhasse tão bem quanto ela. As pessoas deviam aprender que não é necessário conhecimento, dinheiro ou talento. O que precisamos para nos dar bem nessa vida é olhar na boca dos outros. A dama aqui no caso sabia disso. Já era impossível ignorá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Fala, já aviso que não lembro nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Sério? A mim pouco importa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Então some.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Eu tentei mas disseram que não posso sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Quem disseram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Vai me salvar, herói?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De repente ela me beijou. O sabor era parecido com água suja de pia amanhecida. O som pulsava muito rotineiramente no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;jazz &lt;/span&gt;rapidíssimo com escalas escaldantes de saxofones e coloridos pianísticos de acordo com as medidas do ouvido feito milimetricamente pra coisas assim. Nada muito interessante. Terminei de lamber a cara dela e percebi que estávamos num quarto improvisado e o som vinha de fora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça era linda mas entre outras coisas parecia chata pra catiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Princesa, onde estamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Onde mais? - me olhou transtornada - Num putero!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Mas então você é uma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Estou brincando, tigrão. Estamos na casa da minha mãe. Ela é pianista. Por isso o som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Se ela fosse realmente pianista não escutaria &lt;span style="font-style:italic;"&gt;jazz&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Isso não é &lt;span style="font-style:italic;"&gt;jazz&lt;/span&gt;, é Roberto Carlos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Mesma merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Óbvio que era &lt;span style="font-style:italic;"&gt;jazz&lt;/span&gt;. Roberto Carlos nunca cantou em russo. Segurei a rapariga com força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Vaca mentirosa. Que porra tá acontecendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela enfiou um leve tapinha na minha cara. Depois veio me dar um beijo daí &lt;span style="font-style:italic;"&gt;eu &lt;/span&gt;enfiei um tapa na cara dela. Devia ser louca. Me olhou com susto, desiquilibrada. Depois deixou-se cair no lençol. Parecia que ia deixar por isso mesmo. Então fui me levantar e fiquei parado. Não entendi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fui me levantar novamente e fiquei parado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Minhas pernas quase não se moviam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Caralho. Quem é você, porra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Isso me assustou muito. Tenho antecedentes. Uma gigantesca cicatriz atrás embaixo na costela. Foi anos antes. Fizeram tudo certo até certo ponto. Uma graciosa adolescente, locais e bebidas apropriados. Eram bons médicos e conhecedores. Diz que me desmaiaram e me abriram com precisão. A merda foi quando tentaram tirar a porra do rim. Erraram sei lá o que e me fecharam urgente de qualquer jeito. Um dia depois, fui internado no hospital. Uma inflamação generalizada me deixou em coma e no final acabei não perdendo um rim, mas sim dois. Algum tempo vivendo de aparelhos e então dentro do prazo propício um bendito &lt;span style="font-style:italic;"&gt;compatível &lt;/span&gt;me fez o favor de morrer e doar os pedaços. Me fizeram o transplante, mas só puderam me dar um rim então eu fiquei só com o esquerdo. Agora, anos depois, a cosmologia só podia estar me sacaneando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Quem é você porra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Na verdade, eu já disse. – respondeu a ninfeta se levantando - Isso mesmo, sou uma puta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não lembro de pedir puta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Você já falou, não lembra de nada. Mas eu posso fazer de novo. Temos o dia todo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela disse isso e foi levantando a blusa, olhando pra mim. Sempre fui devoto de Nossa Senhora mas duvido que contemplar a santa em toda sua glória seja mais divino que olhar essa jovenzinha gostando de se despir pra mim. Meti um murro na cara dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela caiu no chão por cima do criado. Derrubou uma garrafa ou sei lá o quê que caiu e quebrou fazendo um barulho do inferno. Levantou e me olhou ensandecida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Veado... – disse me apontando uma pequena cimitarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Uma cimitarra? Vai fazer o quê, arremessar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela arremessou. Acertou profundamente na minha coxa esquerda. Eu quase não senti e então arranquei rápido e joguei nela de volta. Mas errei. Havia algo muito errado com minhas pernas. Eu quase não senti. O sangue se espalhava pela cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Sua vaca. Por que cê tá fazendo isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Você que me atacou, desgraçado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela correu e alcançou a cimitarra no chão. Apontou pra mim de novo, ainda ensandecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - E minhas pernas? – gritei antes que arremeçasse – E essa cimitarra? Pra quê essa cimitarra então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Proteção contra &lt;span style="font-style:italic;"&gt;putos &lt;/span&gt;que nem você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Olha aqui, puta aqui é você, caralho. Você me...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela arremessou de novo e errou mas quando fui ver ela também tinha pulado na cama com um grande pedaço de caco de vidro na mão pra tentar me matar decerto. Era definitivamente louca. Não mirava em lugar nenhum e talvez isso a tornasse mais perigosa ainda. Felizmente, consegui segurá-la sem maiores danos. Imobilizei apertando forte o pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Otária. Perdeu, otária. Otária. Agora você vai colaborar. Que porra tá acontecendo aqui? Vou rebentar sua cara e fuder seus &lt;span style="font-style:italic;"&gt;brodi &lt;/span&gt;tudo, cê tá me entendendo? - ela não parecia ceder mas bastaria ser mais incisivo no pescoço – Agora entendeu, não entendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Eu.. falo... - sussurrou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Permiti um pequeno alívio. Ela respirou um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Fui... contratada pra te... só pra você me comer... não sei quem foi...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Mentira sua vaca, você é membro de gangue de rim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não! - ela pareceu realmente assustada - Não sei nada de rins. Não sei nada. Juro que não. Juro que não! Eu só fui contratada pra foder. Os outros talvez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nem deixei terminar de falar e comecei a enforcá-la pra matar. Vaca inútil. Caozêra do carai.  Ia morrer rápido e já estava quase morrendo quando enfim ela conseguiu enfiar profundamente o pedaço de vidro na minha barriga. Aquilo pareceu uma hélice furiosa me rasgando as tripas. Eu soltei um grito pavoroso mas não larguei a puta. Pelo contrário, enforquei mais forte. Senti uma dor escorrer por lugares errados dentro do meu corpo. Ela puxou de volta o vidro e enfiou novamente. Não sei o que foi pior. Cuspi sangue na cara dela e continuei enforcando. Com tudo. A vagabunda já estava quase roxa sem ar, babando muito, nariz escorrendo e ainda assim me enfiou o vidro mais três vezes. Senti o pulmão perfurado. O sangue já escorria em abundância. O pescoço dela amassava igual alumínio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-2607770847282822729?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/2607770847282822729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=2607770847282822729&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/2607770847282822729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/2607770847282822729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2009/06/acordar-ao-lado-seu.html' title='. acordar ao lado seu... .'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/Sj3iR_hKgbI/AAAAAAAAADU/Td0Jfl8WF5w/s72-c/acordar2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-1403649895749827294</id><published>2009-06-09T06:03:00.003-03:00</published><updated>2009-06-09T06:11:47.026-03:00</updated><title type='text'>. da lata ao caos .</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/Si4m-ryXdRI/AAAAAAAAACo/cTCCDsDNHSw/s1600-h/galpao4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 171px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/Si4m-ryXdRI/AAAAAAAAACo/cTCCDsDNHSw/s200/galpao4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345252666083079442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurino, Lalau e Zeladô se encontraram esquisitíssimos. Ali porém não havia mar. Só imensos terrenos baldios e um galpão. A noite já se aprofundava na madrugada. Os moleques não se olharam direito ou se falaram. Também não era necessário. Tudo já estava rascunhado. Foram os três com passos idos. Entraram no galpão como criminosos, um buraco no forro feito só pra isso. O galpão era antigo e abandonado. Longe e sem vizinhos. Enfim um momento. Não é sempre que o vento está a favor. As engrenagens se abraçam. Os parâmetros se reposicionam sem inconvenientes e o acaso se perde em algum lugar além do medo e da ousadia fazendo com que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;a porra toda&lt;/span&gt; desista de ser Deus e se converta num fiel facilitador aos desejos marginais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma conversa sem querer, um tapetão ali, colheita de sinais, outro tapetão. A equação se fecha. O momento aparece. O motivo da coisa toda pode soar estranho a quem acaso não esteja acostumado. No entanto, alguns conhecem e sabem o que é, a um trio composto por inclinação, ter pela primeira vez um bom lugar para dar tiros, aos alvos, à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia porém uma única arma com eles. Em contraponto, carregavam com cada um uma mochila abarrotada de munição. Colaboração mecânica do acaso. Iriam revezar o revólver. Incontáveis alvos no galpão. A noite seria divertida e barulhenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entraram e de repente um estrondoso agudo zunido explodiu ecoando nas paredes. Zeladô se abaixou e ficou por um instante surdo de susto. Maurino o olhou sorrindo. Olhos esbugalhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dei um tiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeladô foi levantando e os sentidos voltando ao normal. Maurino estava eufórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tem que dar um também. Temos muito! Agora mais ainda. Uma mochila e meia pra cada um. Veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurino disse apontando pro Lalau caído sem metade da cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Matou o cara, meu? Véio, porra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, me deixa. Melhor pra você. Segura a onda. De repente eu pensei e era isso mesmo. Sou assim, foda-se. Acabei de decidir e eu ainda fui sensato, quer ver? Eu ia virar matador assassino, cara. Sangue no olho, saca? Tinha decidido na verdade. Daqueles que ninguém pega. Mas logo bateu consciência. Moralidade, meu. Não se pode sair matando os outros. Tem que ter motivo. Mesmo assim é foda. Tem gente que não merece. Resolvi então sossegar mas é difícil mas eu sosseguei só que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;só&lt;/span&gt; quando consegui pensar num motivo nobre. Eu vou matar pra salvar os inocentes, sacou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E que merda o Lalau tinha a ver com essa porra, caralho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então. Ele é um mártirio! Saca martírio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mártir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, Marte é o nome de um planeta, acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Már&lt;span style="font-style:italic;"&gt;tir&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foda-se. Ele é o cara em que eu vou descontar tudo, porra. O único inocente! Pensei nisso e achei perfeito. Só fiquei meio indeciso qual dos dois seria o cara. Mas de boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esquenta não, no fundo nunca ia ser você. Lalau sempre foi mais careta. A caretice é o ópio do mundo. Agora esquece isso e olha as mochilas, estão cheias. Vamos poder atirar nele a noite toda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Véio, tu ainda vai ficar atirando no cara, porra meu? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é &lt;span style="font-style:italic;"&gt;essa &lt;/span&gt;a idéia. Penso em cada um que quero matar e dou um tiro nele. Depois penso por grupos de personalides, dou um tiro, etnias, dou um tiro, faixa etária, dou um tiro, singularidades pessoais, dou um tiro, gente famosa, ...eu ia até esperar um tempo e escrever tudo mas acho que o improviso é mais no clima. Quer ver? Bem, minha mãe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse e atirou no resto da cabeça de Lalau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que porra! Tu é doente, meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, isso é bom demais! Puta merda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Véio, tu tá zuado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se fode, oto. Vai falar então que não quer. Eu sei que tu quer. Ou prefere ir pra casa dar boa noite pra mamãe do inferno e dormir? Tu não é otário. Dá um tiro. Vamos. Dá no teto, se não tem culhão pra atirar em gente, dá no teto. Até melhor, o Lalau fica mais inteiro pra mim. Vamo. Atira, quero vê quando sentir o coice do cavalo. - Maurino fez uma pequena pausa talvez por questões de eloquência – Escuta, pelo menos agora eu não vou sair por aí que nem loco matando todo mundo. Matei &lt;span style="font-style:italic;"&gt;só &lt;/span&gt;o Lalau, e salvei um monte de inocente. Você por exemplo, óbvio que ia rodar. Bundão ainda. Nem tiro dá. Quero ver se tu é muito loco mesmo. Quero ver se escolhi certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Véio, cala a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeladô disse isso e pegou a arma da mão de Maurino. Depois foi andando com passos lentos pro centro do galpão. Respirava devagar. Chegou e olhou pro teto. Forçou as vistas e passeou silenciosamente o olhar. O galpão inteiro se silenciou. Zeladô parecia analisar o encardido e os detalhes da laje. Se aprumou. Segurou a arma com as duas mãos. Apontou pro teto. Olhou pro chão. Então ficou parado. Era como se estivesse nervoso ou indeciso. Não fez mais nada. Ficou nessa pose em silêncio. Depois de um tempo, abaixou as mãos e se endireitou. Respirou fundo. Voltou andando pra perto do Maurino que o observava ansiosamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeladô passou quieto por Maurino e deu um tiro no Lalau morto no chão sem cerimonia. Logo depois, atirou denovo. Então ficou frenético e descarregou o resto do tambor no peito do defunto. Só parou porque acabou munição. Maurino o observava como quem vê algo sagrado, seus olhos brilhavam e sua boca tremia. Foi falar com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sabia! Nunca erro essas coisas. Não é maravilhoso? Agora é minha vez mas na verdade, cara, acabei de pensar numa fita. - Maurino disse isso puxando Zeladô pela camisa - Cara, é isso mesmo! Esse é o momento. Chegou nossa hora. Temos que aproveitar isso daqui. Você tá sentindo que essa é hora, não tá sentindo? A gente tem que pular também. Mas antes, só um minuto... - Maurino recarregou rapidamente o revólver - Preciso dar mais uns. Você quer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurino perguntou mas nem escutou a resposta pois começou a descarregar a arma no peito do Lalau defunto. Enquanto atirava, ele pulava parecendo feliz. Começou a cantar. Dançou, cantou e atirou de tal forma que ao terminar se ajoelhou cansado e respirou rápido. Fez uma pausa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeladô ficou ali olhando pra ele. Maurino continuava ajoelhado. Alcançou a mochila e ali mesmo recarregou a arma. Depois levantou. Respirou fundo e então lentamente foi olhando pro Zeladô com os olhos tão brilhantes e ocos que pareciam não só prever como também antecipar o apogeu do apocalipse. Mostrou-lhe a arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Zeladô, pelo instante sagrado da existência, cara. Estamos vivendo um momento ímpar. O universo inteiro conspirou para que estivéssemos aqui hoje carregado desse jeito. Não podemos ignorar. A hora é agora, vamos pular também. A gente precisa morrer. Nós dois, hoje. Mas a gente só tem &lt;span style="font-style:italic;"&gt;uma &lt;/span&gt;arma então alguém vai ter que morrer primeiro e o outro vai ter que se matar depois na sequência. Na confiança, na &lt;span style="font-style:italic;"&gt;broderage&lt;/span&gt;. Não tem outra saída. Sei que tu quer. Eu estava pensando, você é honrado suficiente pra isso. Eu sou um bosta. Sou capaz de te matar, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;não &lt;/span&gt;suicidar e ainda tirar você de otário pros outros. Isso quer dizer que você vai ter que fazer isso, cara. Por nós. Pelo Lalau. Você me mata e depois suicida. Eu não ia conseguir. Sei que tu concorda mas tem que ser agora. Senão a gente desiste. - Maurino disse isso mirando na própria cabeça e forçando o Zeladô a segurar a arma também -  Tem que ser agora. Eis o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurino então atirou e explodiu metade da própria cabeça. Zeladô arregalou os olhos e ficou estático. Todo sujo de sangue e com a arma na mão. Depois começou a tremer. Tremer muito. Olhos parados. Começou a suar também. Deu uns passos sem direção e continuou tremendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Filho da puta. Seu desgraçado filho da puta. Desgraçado. - disse isso fechando os olhos e enfiando a arma na própria boca – Merda de veado. Filho da puta. – e então atirou explodindo assim a sua metade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-1403649895749827294?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/1403649895749827294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=1403649895749827294&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/1403649895749827294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/1403649895749827294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2009/06/da-lata-ao-caos.html' title='. da lata ao caos .'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/Si4m-ryXdRI/AAAAAAAAACo/cTCCDsDNHSw/s72-c/galpao4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-492798047119486287</id><published>2009-06-01T21:56:00.006-03:00</published><updated>2009-06-01T23:44:03.439-03:00</updated><title type='text'>. o mistério do banheiro hindu .</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/SiR521MKPeI/AAAAAAAAACg/CwkE9ArBz-s/s1600-h/deusa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 149px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/SiR521MKPeI/AAAAAAAAACg/CwkE9ArBz-s/s200/deusa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342529040866229730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então estava lá. Eu sabia que bar é uma coisa pra vida toda. Só não gostava mais da boca seca às seis da manhã depois de uma cansativa noite sensitiva que ultrapassava o sol nascendo e saindo junto com outra cerveja. O bairro fétido amanhecia equivalentemente. O bar era oco por dentro. Porém ainda estava cheio de bêbados perdidos e balbuciantes do gênero. Tudo continuava normal e azedo mas de repente estremeci. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha pele virou plástico. Eu me arrepiei e me cozi ao frio por dentro. Foi que, do nada, uma tal de Rafaela, deusa hindu de costas invertidas, começou a falar dentro da minha alma. A deusa me chamava no banheiro, disse que estava me conjurando! Olhei pros lados. Ninguém mais ouvia. Obviamente, podia muito bem ser &lt;span style="font-style:italic;"&gt;eu &lt;/span&gt;pirando mas o sentimento era forte. Antes, jurava me encontrar sozinho com a garrafa. Bebi sozinho e bem a noite toda. Não tinha ouvido nada até então. Agora, a deusa. Aposto minha vida como &lt;span style="font-style:italic;"&gt;esse &lt;/span&gt;é o mais raro dos sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Era tão forte que levantei tão rápido que o casal do lado percebeu. A moça na mesa me olhou de maneira estranha, não gostei do olhar dela. Parecia me pedir pra não ir ver Rafaela. Como ela sabia sobre a deusa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Desculpa, a senhorita olha o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Percebi no namorado dela um movimento como de quem aguenta o último insulto. Ele se levantou já dizendo coisas pra mim, obviamente não escutei e lhe enfiei um ótimo soco no pescoço. Ele caiu no chão e o clima no bar ficou tenso. É excitante coisas assim logo de manhã. A moça olhou pra mim com olhos pesados mas não parecia triste ou amedrontada. Era mais sublime, parecia suplicar por algo. Foi impressionante mas, de repente, ela se jogou no meu colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Esqueça Rafaela... – me sussurrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Escutou-se então um tiro estrondoso. Fedorento e esfumaçado. Todo mundo no bar se assustou e boa parte foi embora esquecendo a conta porém a moça no meus braços se abafou e murchou toda. Ficou cinza. Foi caindo pro chão. Eu fiquei ali olhando-a indo com olhar sumido até que ela, de repente, cuspiu na minha cara. Cuspiu sangue. O namorado estava parado logo atrás, com a fumegante arma ainda na mão. Estampava uma tristeza fúnebre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Terá a sua recompensa, seu imundo. – me disse e jogou a arma no chão - Confio na justiça de Rafaela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Porra. Que merda é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Então senti pra parar de falar. Parecia o sentimento da deusa me invocando de novo. Tentei ignorar com tudo mas era difícil. Algo estava saindo muito errado e a coisa já tinha ido longe demais. As pessoas restantes no bar não tiravam os olhos da gente. Peguei o último resto de cerveja que tinha na minha garrafa e bebi. Fui até a mesa ao lado da moça e bebi o deles também. Respirei fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; -  O diabo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pensei e saí correndo. Que se exploda a Rafaela, deusa do caralho. Bando de louco. Quando então lembrei que ainda não tinha pago a conta percebi também que não tinha saído do bar e uns guardas me puxaram de volta. Pareciam fortes e zangados e mudos também. Só faltou latirem. Com eles, o namorado da moça. Chegou confirmando com a cabeça e apontando o dedo pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Prendam esse cretino! Seu infeliz cara-de-pau. Porcaria imunda. Você vai apodrecer na cadeia, seu merda. Eis o poder da vingança cósmica agindo com toda sua sutileza. Bem vindo ao mundo de Rafaela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ao ouvirem o nome dela os guardas me soltaram com decisão unânime. Deram uns passos assustados pra trás e saíram correndo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Porra do caralho. Que merda é essa? - eu falei, óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O namorado não sabia o que pensar porém, em mim, bateu o sentimento raro de novo. Era impossível evitá-lo. Parecia um gancho na nuca me puxando. A Rafaela ainda me esperava no banheiro e então eu concluí que já estava mesmo tudo banhado em merda e eu até no quimba então foda-se. Procurei com os olhos o garçom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde é o banheiro? Aquele da Rafaela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Meu senhor, nós não temos banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Como? Tem certeza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Acredito que sim, senhor. Não temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não tem o que? Certeza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não temos banheiro, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Porra, e a Rafaela? Que porra é essa então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Desculpe, senhor, não tenho culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Culpa? Caralho? – olhei pros céus questionando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não sei se foi por isso mas de imediato escutou-se algo vindo dos fundos do bar. Parecia um zunido sem frequência. Isso fez todo mundo ali se sentir como morcegos formando imagens embaçadas através de barulhinhos esquisitos no meio da manhã. Não foi sinistro mas só estranho. Aposto que todos ali se sentiam como eu, de cabeça pra baixo e semitiltado. Numa questão de segundos, o mundo ecoava distante e ansioso à espera de algo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Oito minutos depois, a gente continuava do mesmo jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nada mais interessante aconteceu nessa manhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-492798047119486287?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/492798047119486287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=492798047119486287&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/492798047119486287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/492798047119486287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2009/06/o-misterio-do-banheiro-hindu.html' title='. o mistério do banheiro hindu .'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/SiR521MKPeI/AAAAAAAAACg/CwkE9ArBz-s/s72-c/deusa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-9195497705147147225</id><published>2009-05-23T00:34:00.011-03:00</published><updated>2009-05-23T01:24:25.488-03:00</updated><title type='text'>. há sujeiras na fonte d'água .</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/Shd6dSqTqFI/AAAAAAAAACY/00Zekzqsims/s1600-h/fontedagua2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/Shd6dSqTqFI/AAAAAAAAACY/00Zekzqsims/s200/fontedagua2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338870526915094610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sir Dom Minique Terceiro foi limpar o seu quintal e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;lá tinha&lt;/span&gt; uma fonte d’água cujos detalhes de um escultor delicadamente criativo dificultavam-lhe a tarefa da limpeza. Mas nesse dia ele teve uma idéia interessante ao juntar outras duas. Iria ferver alguns baldes de água com sabão, alvejante e álcool em gel e despejar ainda fervendo sob a fonte. Pensou assim que as recôndidas sujeiras não resistiriam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "As recôndidas sujeiras...", repetiu ele com orgulho para si mesmo. Depois, ao chegar na cozinha, pensou em outra coisa e, ao contrário, decidiu fazer uma fogueira no quintal. Algo como um ritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Resolveu também avisar sua mãe, ela poderia se assustar com o fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Filho, precisava mesmo falar com você. Tive outra percepção! Vai haver sol cancerígeno hoje daqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De repente o cachorro começou a latir em direção à janela. Uma sensação muito estranha se apossa do local. Sir Dom Minique e sua idosa mãe escutam um zunido absolutamente silencioso. Barulho pegajoso e místico. Em três espécies de curvatura segmentadamente atraente numa lentidão de milésimos, o mundo parece surdo. Enxuto. A mãe de Dom Minique cai desmaiada. Talvez por isso ele sorri pela primeira vez em décadas e sinceramente abençoa todas as sensações muito estranhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A campanhia tocou parecendo trazer normalidade às coisas. Dom Minique não atendeu e ela tocou de novo. Ele então resolveu abrir. Se recompôs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Senhor? - disse uma preta gorda de forma humilde – Esta é Miguela. Não sei nem como falar mas é sua filha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Uma linda garota ruiva jovem e animada apareceu sorrindo atrás da preta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Pai, prazer! Estou aqui porque mamãe até me contou quem era você pra se livrar de mim. Eu tenho um sonho. Quero ser atriz de internet. Já até pensei num nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dom Minique fechou a porta e forçou tanto que ignorou. Assim. A sala ficou escura e calma por um instante. Dom Minique sorriu novamente e olhou suspirando com alívio pra sua mãe desmaiada no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Numa dessas bem que a senhora podia morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A campanhia voltou a tocar. Dom Minique olhou enraivecido pra porta e pensou “nnnigwlrr”. De repente o cachorro voltou a latir em direção à janela. Aquela mesma ligeira estranheza se reapodera do local. O mundo cala-se de novo numa urgência que exige ser consagrada contemplando na mais absoluta não percepção de coisa alguma, nem do latido sai som. A porta é arrombada e a preta gorda imediatamente cai morta com o objeto pesado que Dom Minique, num revide inacreditável de rápido, atira alterofilisticamente em direção a testa dela. A menina jovem que estava com a preta se assanha. Tudo faz barulho novamente. Tudo voltou a fazer barulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Pai, acalme-se, eu tenho uma idéia! Acalme-se, está tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A menina disse isso e logo depois também caiu morta de forma semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Esquisito. Dom Minique ficou um tempo parado. Tudo esquisito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Depois recolheu os corpos pra sala e os deixou lá. Voltou pro quintal. Debaixo do sol e árvores e uma linda fonte d’água suja. Três corpos na sala. Ainda tinha a limpeza. Catou os ingradientes. O balde, o sabão, o alvejante e o álcool em gel. Fez uma fogueira do lado da fonte d’água e então olhou pensativo de volta pra sala num arrepio vertebral. Sintético. Parecia pensar um pouco mas de repente saiu correndo pra lá. Imediatamente trouxe arrastando de uma só vez os três corpos pro quintal. Num assobio peculiar, chamou o cachorro. Depois, do nada, começou lentamente a levantar os braços e gritou com toda a força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; -  Buda tirânico! A vida é maior! Uma perturbação atrás na costela da montanha prestes a abafar o carinho com a dupla face da personificação de uma ligeira armadilha nos trejeitos pré-arremessados contra o contorno da face (não dupla) de nossas posições irreveláveis do ponto mais ou menos inatingível pela visão da sedução formada no interior daquela atmosfera nojenta com o cheiro podre dela do tempo de quando ela ainda era capaz de feder. O mundo só piorou depois que inventaram o chão. Viva comigo. Suba o paladar! Aceitarás carne humana como um descanso. A fogueira servirá de tempero. A fonte d’água de desculpa. A sujeira permanecerá pois eu não vou limpar. Conheço os nomes do amanhã. Sigo demente, desumilde servo. Sirvo ao fogo. Tudo que é vivo serve ao fogo. O banquete. Cozinharei a criança primeiro, depois mamãe. Obviamente a preta é pro cachorro. Incompletude feito ocre e desfastio dos fatos de sombra. Baco era bicha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-9195497705147147225?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/9195497705147147225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=9195497705147147225&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/9195497705147147225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/9195497705147147225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2009/05/ha-sujeiras-na-fonta-dagua.html' title='. há sujeiras na fonte d&apos;água .'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/Shd6dSqTqFI/AAAAAAAAACY/00Zekzqsims/s72-c/fontedagua2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8178336486113180636.post-9131131579042407314</id><published>2009-05-07T02:29:00.009-03:00</published><updated>2009-05-07T17:54:10.625-03:00</updated><title type='text'>. um passeio pela noite .</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/SgNIR64lwyI/AAAAAAAAAAs/dqUBOIDcZfw/s1600-h/mendigo3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 226px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/SgNIR64lwyI/AAAAAAAAAAs/dqUBOIDcZfw/s320/mendigo3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333185856438387490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tarde da noite. Tércio desceu do prédio e encontrou seu vizinho Dom Marone de um modo um tanto inviesadamente calmo. Marone sorriu pro Tércio e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tércio, grande Tércio! Se você se chamasse Pedro eu teria dito: Pedro, grande Pedro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não venha me cobrar hoje, seu poeta de merda. Não me esqueço que além de um inútil você ainda é dono dessa porra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acalme-se, Tércio. Senão daqui a pouco eu te chamo de Pedro, ou Terço! - gargalhou Dom Marone - Um terço, dois terço! - disse gargalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor está se exaltando. É melhor calar a porra da boca senão eu espalho tudo sobre as patroas e suas escravinhas, as bugrinhas. Eu sei de tudo. Sua sorte é que estamos indo para metrôs diferentes. Eu iria espalhar pra todo mundo. Comprar agora cartazes. O dedo na sua cara. Sua vida moral morreria agora. Dê graças ao metrô! - Tércio disse isso e também gargalhou com eloqüência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Manere o sarcasmo. - respondeu Marone de imediato e com estilo - Que os metrôs não sejam desculpas. Eu vou com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está me provocando, Dom Marone?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não diga isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dom Marone, estás me provocando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Digamos que talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pense bem. Provocando a mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caralho, porra. Sim, merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dom Marone disse isso e caiu desmaiado com o soco que Tércio lhe enviou ao queixo. Depois disso, Tércio teve o seu maior ápice de um pensamento filosoficamente profundo - por toda sua vida - e mencionou lentamente numa grave voz interior: "a provocação às vezes dá certo". Ficou um tempo olhando prum canto conscientemente qualquer do teto e depois se mexeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia ainda uma porta antes de se alcançar a rua e Tércio deixou seu visinho desmaiado ali mesmo, escondido antes da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então saiu, dobrou uma esquina e abordou decididamente um mendigo num caixote dizendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Trouxe minha encomenda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mendigo se assustou, olhou bem em seus olhos e se recompôs falando devagar, como se fosse bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O rouxinol canta a liberdade da pedra por não querer voar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse isso e olhou com reticências pro Tércio, provavelmente à espera de uma continuação da frase. Parecia isso mesmo. Tércio então procurou manter-se à altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O ar perde o defeito do som por não querer conta conjunta feita numa... deformar-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se fode, oto. Escorrega daqui senão os mira vão gozar. - disse o mendigo - Entendeu pelo menos isso, veado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tércio se afastou de imediato dali. O rouxinol devia ser um código secreto. Então esse era o mendigo errado. Devia inclusive ser inimigo. De um outro time. De repente, Tércio sentiu um segurão no braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o infeliz? - perguntou um brutamontes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o presunto, passa ele. - respondeu logo atrás o mendigo do rouxinol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um gosto metálico na garganta, Tércio ajoelhou já sem sentidos e pensou "aah uuh!" enquanto morria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8178336486113180636-9131131579042407314?l=hojeemcartaz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/feeds/9131131579042407314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8178336486113180636&amp;postID=9131131579042407314&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/9131131579042407314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8178336486113180636/posts/default/9131131579042407314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeemcartaz.blogspot.com/2009/05/um-passeio-pela-noite_07.html' title='. um passeio pela noite .'/><author><name>nhanhá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/S3X6jsNT0aI/AAAAAAAAAFg/CCAuhg-jsmI/S220/joe.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Vvc6pA64Lw4/SgNIR64lwyI/AAAAAAAAAAs/dqUBOIDcZfw/s72-c/mendigo3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
