. uma solução pra nossa vida .



Porra, parece que Deus está me confundindo com uma barata. O relógio e seus minutos soam como um exército de vassouras querendo me exterminar. É como se minha garganta tivesse desistido de ficar no lugar certo e quer agora fugir ou descansar invertida pulsojacto. O ar entra em meu pulmão como vômito de velho. Eu queria saber como se faz quando seu auto-espectador te sabe pulsilâminente meio de lado e também um tanto burro.

Estou andando com uma tremenda paciência pela rua. Espero sinceramente que ninguém me dirija palavra e de fato, de fato, não me esbarrem. Vocês conseguiram me deixar assim: preocupado estou com minha vida, coisa que ninguém nunca deveria fazer. Explodir ou mumificar-se-mos? A questão é: que porra valem as perguntas prudentes? Eis a fita: toda resposta é bláblá-prudência. Quem não é prudente grunhe feito porco sem pergunta. Infelizmente, eu sou o ápice do comedimento humano. Todos os fluxos místicos fortalecem quem sabe medir. Espero que Amanda se foda nessa vida.

Não devo mais ‘gostar’ dela, sim. Ela é boa – culpada pelo meu estado. Eu queria abandoná-la em pensamento mas ainda quero ficar torcendo pra tudo dar errado na vida dela. Não quero abandoná-la e nunca mais vê-la. Se eu puder atrapalhar, farei-o-o. Nada nesse mundo reformaria minha sanidade com mais competência do que assistir um longo e repetido período de sofrimento daquela mista de porca com feto humano e ainda sendo delícia. Suas lágrimas seriam meu melhor bálsamo, ainda que fedidas.

Enfim, preciso urgente achar uma solução para minha vida. Antes de esbarrar em alguém eu voltei pra casa. Precisava pensar uma maldade pra pensar. Olhei pro livros. Há algo que me intriga muito naquele tanto de palavras juntas: é mais absurdo essa porra ter ou não ter sentido? Me veio uma grande idéia.

- Tranquem os livros para que pululem.

Fiquei feliz com essa decisão. É engraçado se alegrar quando nos alegramos só raramente. Eis uma alegria que é preciso ser triste para senti-la – bicha –. A maldade é algo que não precisa de eruditismo e muito menos da falta dele. No entanto, algo ficou. Forte como a desgraça. Amanda é uma pomba. A desgraça é uma gosma cerebral posta pela garganta aos ouvidos. Imprégna ripado de frescatas de frascos de fasquia todo o corpo fressurento de frescor sofístico frrssc. Tudo foi porque percebi que decidi. O que me ficou egormecido foi a pequena alegria da decisão tomada. Pequena mas alegria. Resolvi então tentar decidir mais coisas pequenas assim. Capturação fragmentada e gradativa da auto-estima. Amanda se foderá. Decidi então desescrever seu destino.

- Mudei, decidido de novo, aplicarei engenharia reversa num biscoito...

Eu disse isso mas comecei a fazer flexões de braço. Parei na oitava. Percebi que se eu não parasse agora essa velocidade decidialetória que se apossava de mim iria se tornar um vício e, tal qual o mais célebre e sábio discípulo de Heráclito, eu morreria sentado no silêncio. Afunilando em tamanha profundidade semântica percebi que isso de parar de ficar decidindo foi novamente uma decisão. E, novamente, me trouxe felicidade. Ah, os milésimos da perfeição... me senti assim um noiado. Mas respirei fundo e me acalmei. Não é possível que as coisas nessa merda sejam decisõesinhas como se cachimbo ou lata. Bastaria não decidir pensar decidir. Bastaria como? Pois eu decido não decidir e não só não decido mesmo pois não decidir é decidir não decidir, certo?

Eu estava inspirado. O que nos mantém vivo, meus amigos, não é prazer ou sacrifício mas sim um longo ato de decisão. Falaria eu isso se fosse um monge feio mas, na verdade, eu disse...

- ...foda-se, surtei.

Fui pegar um pano pra limpar a cinza queimada na roupa e escondi os óculos no sofá quando fechei a porta apoiando na parede pra abrir a porta novamente e ter dó do mundo juntamente decidindo fazer caminhadas três vezes por semana pra saúde no mesmo instante que chamei o elevador pois tinha acabado de resolver sobre cigarros, a partir de hoje, iria virar dos intravecalmente inexeqüíveis. Resolvi antes tomar banho e tirei a camisa mas plantei bananeira – isso eu não entendi –. De cabeça pra baixo eu fui brincar de aleijado com um pé só mas cacei em que direção um vento escroto tinha soprado minha nuca quando ignorei a janela e fui desarrumar a cama fingindo que eu tinha dormido pois eu tinha dormido na verdade na cozinha para lavar a louça e, por fim, decidi, sentei no chão. Parei. Ê. Parado. Paraiei-mo-no-los... monólogos. Consegui ficar parado. Fiquei parado quieto. Meu pulmão e seus longíquos decibéis. Descobri ser uma delícia crescente ficar decidindo não se mover a cada segundo que passa. Uma furiosa avalanche de silêncio se apossava de mim. Fiquei parado quieto como uma besta budista à espera do ou de nada. Desconfio ter babado.